Governo manobra e CPI mista da Petrobras não vota requerimentos

Comissão precisava de 350 requerimentos para que a análise fosse instaurada; deputados e senadores da base não compareceram à reunião

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Em ação orquestrada pelo governo, a CPI mista da Petrobras não conseguiu votar nesta quarta-feira (18) os mais de 350 requerimentos que esperam pela análise da comissão de inquérito. Com o aval do Palácio do Planalto, deputados e senadores aliados da presidente Dilma Rousseff não compareceram à reunião da CPI que analisaria diversos pedidos de convocações, quebras de sigilo e depoimentos.

Alguns governistas circulavam nos corredores do Congresso no momento em que o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), abriu o prazo de meia hora para esperar atingir o quorum mínimo para a abertura da sessão --que é de 11 congressistas. Como apenas 10 deputados e senadores compareceram, Vital cancelou a sessão.

Senadores aliados do Planalto participaram da reunião da CPI da Petrobras exclusiva do Senado na manhã desta quarta-feira, mas não foram à comissão mista --mesmo alguns sendo integrantes de ambas as CPIs. A comissão exclusiva do Senado sobre o boicote da oposição e tem apenas membros aliados do governo.

O deputados Sibá Machado (PT-AC) chegou à sala da CPI mista dois minutos depois do encerramento da sessão, enquanto o líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), circulava do lado de fora da sala enquanto Vital aguardava o quorum --mas não registrou sua presença.

"Isso não é verdade, eu passei a noite acordado viajando para poder chegar aqui, mas eles acabaram a reunião antes", rebateu Sibá.

A oposição também não mobilizou integralmente os membros da CPI mista. Dos 10 membros presentes, apenas dois eram de partidos aliados do governo --mas nem os congressistas da oposição compareceram em peso.

Somente com a presença de 17 congressistas a CPI poderia votar os requerimentos.

Para o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que faz oposição ao governo, não há disposição de nenhum dos lados de investigarem irregularidades que envolvem a Petrobras. "Talvez esse jogo não seja de governo ou oposição. Tem também gente da oposição que não quer que as coisas sejam investigadas", afirmou.

Relator da CPI mista, o deputado Marco Maia (PT-RS) negou que o esvaziamento seja uma estratégia articulada pelo Planalto. "Ninguém combinou nada comigo. Hoje é véspera de feriado e era necessário quorum qualificado para a votação de requerimentos", afirmou.

O senador Vital do Rêgo atribuiu o esvaziamento às convenções partidárias nos Estados, que terminam dia 30 de junho, e aos jogos da Copa do Mundo. "Todos os homens do Congresso estão envolvidos em convenções. Os jogos também prejudicam as coisas."

REUNIÃO

Ainda não há previsão de quando a CPI mista volta a se reunir para analisar os requerimentos. Na próxima quarta-feira (25), a comissão mista de inquérito vai ouvir o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli. No mesmo dia, a CPI exclusiva da Petrobras no Senado marcou o depoimento de Magda Chambriard, diretora-geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo).

A partir do dia 17 de julho, o Congresso Nacional entra em recesso e só retorna oficialmente suas votações em novembro, após as eleições. As CPIs ainda não decidiram se vão manter os trabalhos durante o recesso, ou que vão paralisar as investigações em razão das eleições.

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