Alimentos e desconto na água continuam segurando inflação

Apesar da desaceleração, o resultado ficou acima da média de 0,42% esperada tanto por analistas ouvidos pela Bloomberg quanto pelo Valor

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Destaque foi o grupo alimentação, que respondeu por 58% da variação
BRUNO FIGUEIREDO - 3.9.2009
Destaque foi o grupo alimentação, que respondeu por 58% da variação

A desaceleração dos preços dos alimentos e o desconto na conta de água, oferecido pela Sabesp em São Paulo para quem reduzir o consumo, continuam reduzindo a inflação.

O impacto, que já foi sentido em maio, deve continuar em junho, mostra o IPCA-15, a prévia da inflação oficial, deste mês.

O índice ficou em 0,47%, divulgou o IBGE nesta quarta-feira (18). Em maio, a prévia havia sido de 0,58%

Apesar da desaceleração, o resultado ficou acima da média de 0,42% esperada tanto por analistas ouvidos pela Bloomberg quanto pelo Valor.

Júlio Hegedus, economista-chefe da Lopes Filhos Consultores, esperava que o IPCA-15 viesse em 0,4% agora em junho.

"Veio acima do esperado e há mais pressão pela frente. Há uma expectativa de desaceleração da inflação nos serviços, por conta do fim da Copa, mas, por outro lado, as eleições podem gerar volatilidade no câmbio, teremos entressafra da carne, e o reajuste de preços com reajuste represado, como os combustíveis".

O IPCA-15 –que antecipa a tendência para o IPCA, que é divulgado no início do mês seguinte ao fechamento e é o balizador da meta oficial de inflação do Banco Central– acumula alta de 3,99% no semestre e de 6,41% nos últimos 12 meses. Os analistas previam, para os últimos 12 meses, alta de 6,35%.

Em igual período de 2013, o IPCA-15 havia acumulado alta de 0,38%.

ALIMENTOS E ÁGUA

Em junho, o grupo Alimentos do IPCA-15 recuou para 0,21%, ante 0,88% em maio. O grupo Habitação recuou de 1,19% para 0,29%.

Nos alimentos, destacaram-se as quedas nos preços da batata inglesa (-16,35%), farinha de mandioca (-11,67%), cenoura (-5,05%), hortaliça (-4,69%) e frutas (-3,44%). Isso jogou para baixo a alimentação consumida em casa, que teve variação negativa nos preços de 0,23%.

"Tivemos um choque de preços no início do ano [decorrente de menor oferta], e agora está ocorrendo esse efeito contrário", diz Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria.

O Programa de Incentivo à Redução do Consumo de Água, em São Paulo, criado para fazer frente à seca nos reservatórios que abastecem o estado, levou o item água e esgoto a variação de -4,02% nos preços do item, em nível nacional. O programa prevê corte de 30% na conta de água para quem reduzir seu consumo em 20%.

Com isso, o item habitação viu sua inflação desacelerar de 1,19% no resultado de maio para 0,29% de junho.

A maior pressão de alta no IPCA-15 veio das passagens aéreas, com alta de 22,15% devido à maior procura por quem viaja para os jogos da Copa. Essa alta foi responsável por 0,09 ponto percentual do IPCA-15.

META

A meta de inflação do governo para 2014 é 4,5%, com uma tolerância de até 6,5%, chamada de teto.

Com o resultado de junho, o IPCA-15 do semestre acumula alta de 3,99%. Em igual período do ano passado, o indicador acumulava 3,45%.

Para os últimos 12 meses, o indicador prévio da inflação oficial registra 6,41%. Segundo o Boletim Focus, do Banco Central, até semana passada, a média das expectativas do mercado para o índice oficial, o IPCA, era de fechamento em 6,46% ao fim deste ano.

"Projetamos 6,3% de inflação para o ano, mas este não é o quadro tranquilo. Vemos uma alta de preços bastante generalizada. O risco de ultrapassar a meta de inflação é relevante", diz Ribeiro, da Tendências.

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