Apoios cruzados de siglas não vão render palanque a Dilma

Partidos que apoiam o PT nacionalmente farão campanha para o presidenciável Aécio Neves em MG

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Mário Heringer diz que a realidade local é por manter o apoio a Aécio
Gustavo Lima/Câmara dos Deputados - 9.7.2013
Mário Heringer diz que a realidade local é por manter o apoio a Aécio

As sinalizações dadas pelos partidos sobre os caminhos que irão seguir nas eleições deste ano colocam em evidência um quadro que não deverá ser tão favorável à presidente Dilma Rousseff (PT). Apesar de nacionalmente a petista já ter um grande leque de apoios que lhe renderão mais de 12 minutos de televisão, nos Estados os palanques poderão ficar reduzidos, já que muitas lideranças estaduais defendem uma aliança com o PSDB e, principalmente em Minas, são ligados ao senador e provável adversário do PT, Aécio Neves.  

Lideranças de PP, PSD, PDT e PR de Minas, historicamente aliados do PSDB, prometem pedir votos a Aécio na disputa presidencial. Todos esses partidos tentaram nos últimos meses convencer os presidentes nacionais das legendas a mudar de lado e apoiar o tucano, mas não tiveram sucesso na negociação.

Os chamados “apoios cruzados” em Minas não são novidade, apesar de nas disputas dos últimos anos ter ocorrido de forma diferente. Em 2010, por exemplo, no conhecido movimento “Dilmasia”, as siglas apoiaram Dilma para presidente e, no Estado mineiro, fizeram campanha para o ex-governador tucano Antonio Anastasia.

Neste ano, porém, o movimento deve ganhar outro formato: na briga presidencial, o PT terá mais espaços para fazer propaganda na TV e no rádio, mas, nos Estados, os principais cabos eleitorais – deputados e prefeitos – farão campanha para outro candidato ao Planalto.

Justificativas. Esse é o caso do PP. Depois de Alberto Pinto Coelho assumir o governo mineiro neste ano, o partido se aproximou ainda mais dos tucanos. “O presidente nacional do partido disse que vai respeitar a nossa vontade, mas eleitoralmente o PP soma muito mais com Aécio. Não há dúvidas de que vamos trabalhar pela eleição dele. Dilma pode ter o tempo de TV do partido, mas não pediremos votos para ela”, garante o ex-secretário de Estado em Minas e deputado estadual Gil Pereira (PP).

Situação semelhante deve ocorrer com o PP em Goiás, Paraíba, Amazonas, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Alagoas. Frente às dificuldades em convencer a executiva a apoiar Dilma, a última cartada dos mineiros será manter o partido neutro nacional mente.

O PDT está na mesma situação. Segundo o presidente da legenda em Minas, Mário Heringer, as realidades de cada Estado pesam na hora da campanha. “A posição da nacional é pela aliança com o PT, o que não significa que daremos palanque e que pediremos votos para Dilma em Minas. É um processo natural da eleição”, explica.

Do outro lado

Apoio. Os problemas nos palanques nos Estados não são específicos de Minas. Em vários locais as direções partidárias ainda não conseguiram fechar acordo em torno de um nome.

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