Música que não toca na rádio

Programação gratuita se divide em mostra de filmes, oficinas para iniciados e shows com músicos contemporâneos

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Música no cinema. Cena do documentário “Música Serve para Isso”, de Sandro Serpa e Bel Bechara
Divulgação
Música no cinema. Cena do documentário “Música Serve para Isso”, de Sandro Serpa e Bel Bechara

A música experimental contemporânea terá na segunda edição da Mostra ArteSônica uma aliada para comprovar que boa música nem sempre é aquela pop que toca nas rádios. A mostra começa hoje no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna e tem toda sua programação gratuita.

“É interessante que Belo Horizonte, mesmo já tendo uma diversidade cultural muito grande e festivais estabelecidos como o Eletronika, sempre permitiu eventos com características menos comerciais”, destaca o idealizador e produtor do evento, DJ Tee, ou Tadeu Mucelli.

Em sua segunda edição, a mostra tentou se pautar basicamente pelo que há de contemporâneo na produção atual da música brasileira, e o que antes era apenas uma mostra de filmes que se relacionavam com a música se desdobrou em outras duas frentes: oficinas e shows. “A primeira mostra (que ocorreu em 2012) trazia filmes de bandas e esses registros históricos. Agora, optamos por um viés mais contemporâneo mesmo. Para isso, passamos mais tempo para escrever projetos e captar recursos para fazer uma programação maior. Temos três oficinas que buscam estimular os músicos a produzirem seus trabalhos sem buscar estímulos externos”, assinala Tee.

Na programação, destaque para a Orquestra Vermelha, formada por Matheus Leston, de São Paulo, acompanhado por uma banda de sombras projetadas de outros músicos que não estão no palco. Da Espanha, vem o artista multivocal Hyperpotamus e o projeto Psilosamples, que apresenta releituras e remixes entre a cultura tradicional brasileira e outras sonoridades, como a música eletrônica, eletroacústica, psicodelismo e techno.

Na mostra de filmes, com curadoria de Paulo Cevallos, do Festival Kinobeat, de Porto Alegre, os destaques são “A Batalha do Passinho – O Filme”, de Emílio Domingues, documentário brasileiro que aborda o fenômeno cultural do “passinho”; “We Don’t Care about Music Anyway”, de Cedric Dupire e Gaspard Kuentz, produção japonesa em estreia nacional, que apresenta a cena de vanguarda musical de Tóquio, confrontando música e ruído, som e imagem, realidade e representação, documentário e ficção; e “What’s Difference Does It Make? A Film about Making Music” de Ralf Schmerberg, que também tem sua estreia em Belo Horizonte. É um documentário que retrata os 15 anos da Red Bull Music Academy, projeto pioneiro que aborda o universo DJ e cultura remixer em formato de workshops por todo o mundo.

DJ Tee acredita que a mostra pode ser uma boa para aqueles que querem fugir do frenesi da Copa do Mundo, ainda que a programação não coincida e brigue com os jogos. “Acho que pode ser bom até para turistas que estejam passeando pela cidade e queiram conhecer a música contemporânea produzida no Brasil”, destaca ele.

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