Um pouco de futebol e mais um pouco de política

iG Minas Gerais |

Antes de descobrir que “sou Holanda desde criancinha” – aquele gol de Van Persie vai ficar na minha memória –, tive meu dia de satisfação. Nunca achei que futebol tem a ver com política e fui escanteada em 1974 porque não aceitei deixar de torcer pelo Brasil para boicotar a ditadura militar. E sempre acreditei que pau que dá em Chico, um dia, dá também em Francisco. Pois me encontrei, na véspera da abertura da Copa, com antiga militante petista que teve de reconhecer que agora são eles, os petistas, a sofrerem na carne as reprimendas de quem acha que ninguém poderia vibrar nos estádios apenas porque Dilma está no governo. Morri de rir. Nada como um dia depois do outro. Por mim, não deixo de assistir aos jogos, embora meta o pau em todo o padrão Fifa a que se sujeitaram nossos governos. Hoje, no entanto, vou dar uma de Lula e falar mal da imprensa. De maneira oposta à dele, é óbvio. O ex-presidente se compraz em dizer que a imprensa se especializou em perseguir o PT e que só sente prazer em noticiar coisa ruim. Com as exceções de sempre – que vão se tornando cada vez mais raras –, escandaliza-me o despreparo de jornalistas que não dão a mínima para se preparar para um bom comentário ou uma boa entrevista. Partem crus para enfrentar um bando de especialistas em tergiversar ou em praticar o esporte predileto de Maluf: responder sobre o que ele quer falar, e não sobre o que foi perguntado. Assim ocorreu com Renata Lo Prete na estreia do programa de entrevistas com os candidatos a presidente. O horário deveria ser considerado impróprio para qualquer idade: vê lá se assunto sério é para ser tratado às 23h30, em canal fechado e, portanto, excludente por si próprio, e apenas por quem não tem de pegar no batente no dia seguinte. Mas o pior ainda estava por vir: Lo Prete não sabia nada de concreto sobre a atuação de Aécio no governo do Estado ou no Senado Federal. Daí que ele pôde dar um passeio. Por exemplo: qual foi o voto dele na fórmula do cálculo do salário mínimo introduzida por Dilma Rousseff? Ah, então ele se arrependeu do “não” da época e agora vai adotar a mesma política? Por que o senador deixou sorrateiramente o plenário na hora de votar o veto presidencial na questão dos royalties do petróleo? Qual é, na opinião dele, a razão pela qual o vice de Eduardo Azeredo vai ser julgado pelo STF enquanto o caso do então governador veio para a primeira instância da Justiça Federal? Não haveria aí também a necessária conexão invocada no mensalão petista? Quais categorias de funcionalismo serão por ele beneficiadas com melhores salários – as que ele tão bem atendeu em Minas Gerais? E por aí afora... Espero que, com Dilma Rousseff, Lo Prete bata firme e cobre dela a autocrítica nunca feita pelo PT sobre o Plano Real e sobre a CPMF. E espero – do fundo do coração – que ela dê o cacete que merece sobre a posição de um partido que tanto e tão encarniçadamente lutou contra o instituto da reeleição e que dele hoje faz tão descarada defesa. A isso eu quero assistir.

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