Quem nos representa

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Eu sei que muitos vão dizer que isso é coisa de estádio, de futebol e tal, mas fiquei estarrecida ao ver parte da torcida presente no Maracanã, no último domingo, na partida entre Argentina e Bósnia, mandar o Messi tomar no cu. Se não fosse pela falta de respeito ao craque máximo do momento, é indelicado por sermos os anfitriões. Não se faz isso com convidado. Messi, de sua parte, respondeu à altura, segundos depois, com um golaço. Dilma Rousseff foi vítima do mesmo xingamento, dias antes, na abertura da Copa, no Itaquerão. Não pôde responder de imediato, como fez o craque argentino. Mesmo porque nada que ela faça parece satisfazer essa parcela da população, que se acha fina e educada, mas mostrou ao mundo uma completa grosseria e falta de educação.  No caso da eterna rixa futebolística com a Argentina, o melhor seria mostrar todo o apoio à Bósnia, empurrando a seleção daquele país para a vitória, encarnando uma camisa 12. Seria lindo e melhor para o espetáculo. Em relação a Dilma, o descontentamento ao seu governo tem hora e lugar para acontecer: em 5 de outubro, durante as eleições. Não diante do mundo e de maneira tão absurda. E notem que não foram vaias o que receberam Messi e Dilma, o que seria, digamos, mais aceitável. Mais democrático: aplaude-se quando se gosta, e vaia-se, em caso contrário. Não, foram xingamentos, de baixo calão, palavrões, que essa parcela da população que se acha fina e educada proíbe os filhos de dizerem ou mesmo os impede de escutar. Lamentável, vergonhoso! Aí, no meio dessa grosseria por parte de alguns, vê-se exemplos de brasileiros que acabam nos confortando e nos mostrando que nem tudo está perdido. Como Adilson Luiz da Cruz, em São Paulo, que encontrou 40 ingressos, deixados em seu carro por dois mexicanos alcoolizados e os devolveu, a tempo de eles verem o primeiro jogo daquela seleção, na sexta-feira passada.  O mesmo fez uma enfermeira, em Natal, com outro mexicano (eh, povo desnorteado, sô!), que esqueceu sua mochila num ônibus, onde estavam nove ingressos. Ela não mediu esforços para encontrá-lo – até telefonemas para o México ela deu – e conseguiu encontrar a namorado do torcedor, que ligou para o seu celular, lhe informando onde estava sua mochila. “Fui ensinado a nunca querer o que não é meu. Quem não quer ver uma Copa do Mundo, né? Mas as pessoas vêm de tão longe. e nós temos de ser corretos”, disse o taxista Adilson. “Eu não queria que ele saísse com uma imagem ruim do Brasil. Eu queria que ele soubesse que existem pessoas que se preocupam com os outros. Por isso fomos até o fim. E conseguimos”, declarou a enfermeira Luzimar.  Para um punhado de gente que nos envergonha diante do mundo, existem Adilsons e Luzimares, que fizeram o certo, o que se espera de gente de bem. Mas não tem como não celebrar suas atitudes, suas preocupações em fazer deste um mundo melhor. E todos nós brasileiros que não nos reconhecemos naqueles que xingaram Messi e Dilma, podemos dizer que Adilson e Luzimar nos representam.

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