Para um evento de grandes proporções, o país funciona bem

iG Minas Gerais |

DUKE
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Uma velha canção de Frank Zappa já alertava: “Watch out where the huskies go and don’t you eat that yellow snow”. É que, dizem, a neve fica amarela devido ao xixi de pessoas e cachorros. Nos dias de hoje, quando questões políticas e ideológicas se misturam, o alerta de Zappa é precioso, pois há muita neve amarela por aí. Principalmente no caminho trilhado pelo noticiário, que oscila entre a tentativa de desconstrução do governo com a exposição de seus fracassos e o reconhecimento da cabal incompetência do governo em se comunicar e reagir consistentemente no campo econômico. Isso é muito ruim para quem garimpa fatos às vésperas das eleições, um período da vida das nações em que as paixões afloram com facilidade e a emoção domina, em especial se a agenda inclui esporte. Vivemos tempos complexos, em que a racionalidade e a busca da verdade são soterradas pelos factoides de quem tem lado. Como na época da decadência da Grécia Antiga, ocasião em que o sofisma prevalecia. E sempre que o “vamos que vamos” e o “agora vai” se sobrepõem aos fatos, a verdade não importa, fica para trás, não tem lugar na festa, mesmo que a maioria não concorde. Nada de errado em ter um lado, mas, para se posicionar, é preciso dispor de informação límpida e objetiva. Não é o que ocorre nos dias de hoje. Deveriam existir na mídia espaços para reflexão independente e posição editorial clara. Notícia é notícia, opinião é opinião. Bom seria se cada veículo assumisse publicamente a sua escolha política, sem subterfúgios. Desse a cara a tapa e revelasse o nome do candidato que apoia, conforme a tradição na imprensa norte-americana. Infelizmente, aqui não é assim. Houve, por exemplo, quem afirmasse insistentemente que a Copa seria o caos porque não haveria tempo hábil para construir 12 estádios, uma dezena de aeroportos, obras de acesso e ainda instalar infraestrutura de comunicação de alta tecnologia, embora o Brasil disponha hoje de uma economia baseada na dinâmica do setor de serviços – o que mais cresceu nos últimos 12 anos. Bem, passada a primeira semana de jogos, não sobreveio o caos antecipado pela impaciência dos agentes do apocalipse, apesar da demanda de serviços crescentemente intensa, das distâncias enormes a percorrer em todo o território nacional e da forte pressão turística. As manifestações tornaram-se esquálidas e impopulares. As greves, pontuais, envergonhadas e sem apoio. O maior fracasso, até agora, foi da Fifa como organizadora da tímida abertura, criticada tanto no Brasil quanto no exterior. As vaias e sua interpretação são neve amarela: no Brasil se vaia até minuto de silêncio, disse certa vez Nelson Rodrigues. No fim das contas, temos por aqui um país que funciona razoavelmente bem para um evento de grandes proporções em contraponto ao caos que o bordão “imagina na Copa” antecipava. Melhor: nesta Copa de país emergente temos a surpreendente qualidade do excepcional futebol praticado pelas equipes. Muito acima da exibida na África do Sul. A ponto de já terem sido quebrados recordes de gols, de ter sido incorporado o sistema eletrônico de tira-dúvidas, no caso de gols polêmicos, e de a alegria ter se espalhado de sul a norte de um país-continente. Tudo isso é positivo para a presidente Dilma Rousseff, que antes do início do evento esportivo anunciou que o Brasil realizaria “a Copa das Copas”.

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