Nova geração aposta em criar conteúdo próprio

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Aos 23 anos, Jennifer Lawrence é a maior estrela em Hollywood hoje
Sony
Aos 23 anos, Jennifer Lawrence é a maior estrela em Hollywood hoje

O fato de que elas não sejam mais o equivalente de espectadores nas salas e cifrões não quer dizer que as estrelas não existam. Todo grande papel feminino, entre 20 e 35 anos, será oferecido primeiro para Jennifer Lawrence na Hollywood atual. Isso, somado a um Oscar de melhor atriz e à constatação de que qualquer declaração dela se torna manchete por uma semana, faz da garota a maior estrela do cinema norte-americano hoje.

Mas mesmo sendo uma daquelas anomalias que ainda não fez nada de errado, nem o sucesso de Lawrence foi testado como chamariz exclusivo de uma grande produção, fora do seguro universo das franquias. A saga “Jogos Vorazes” já era um best-seller antes de ela encarnar a heroína Katniss Everdeen. E mesmo que “X-Men” tenha aumentado significativamente seu papel como Mística em “Dias de um Futuro Esquecido”, ela ainda é uma peça de um grande elenco na produção – como foi em “O Lado Bom da Vida” e em “A Trapaça”.

Agora, para aqueles que não se chamam Jennifer Lawrence, o sucesso parece estar com quem toma as rédeas das produções que vai estrelar. Depois de ser achincalhado ao tentar viver o herói “O Besouro Verde” no longa de Michel Gondry em 2011, Seth Rogen é um dos melhores exemplos disso. “Superbad” já havia mostrado que ele era um bom roteirista, e o ator provou isso com “É o Fim”, melhor comédia norte-americana do ano passado, e “Vizinhos”, que também estreia em Belo Horizonte amanhã, recebeu algumas das melhores críticas do ano e foi um enorme sucesso nos EUA.

Os dois tiveram orçamentos abaixo dos US$ 50 milhões, fizeram mais de US$ 100 milhões nos EUA e são casos exemplares de criatividade suplantando o ego. Outra comédia que chega no Brasil em julho, “Anjos da Lei 2” traz dois nomes que vêm surfando ondas similares. Jonah Hill roteirizou o longa anterior, este e, com duas indicações ao Oscar por “O Homem que Mudou o Jogo” e “O Lobo de Wall Street”, vem provando que nem só beleza vence em Hollywood.

Mas “Anjos da Lei 2” com certeza ajudou muito Channing Tatum, que coestrela a comédia ao lado de Hill, enquanto ninguém acreditava que ele soubesse atuar. Não é mais o caso. O jovem galã foi elogiado pelos dois “Anjos da Lei” e, mesmo quando se aventurou fora do mundo de franquias, contando sua história pessoal em “Magic Mike”, ele se cercou de um diretor talentoso, Steven Soderbergh, e de bons atores ao seu redor, como Matthew McConaughey.

McConaughey, por sinal, pode estar escrevendo a cartilha do novo astro de cinema. Estrelando em produções independentes pouco arriscadas, baratas e sem pressões financeiras, ele se reinventou. Quando quis tentar algo mais fora dos padrões, foi para a TV – o que não é mais vergonha para nenhum astro –, fez “True Detective” e colheu os maiores elogios da carreira. E se no fim do ano, “Interstellar”, uma grande produção com um orçamento milionário, não der certo, a culpa vai ser menos dele do que do diretor Christopher Nolan.

O resultado de toda essa esperteza? Um Oscar de melhor ator. Algo que, não duvide, pode estar no caminho de Channing Tatum, por quem a crítica se rasgou de elogios no último Festival de Cannes pelo longa “Foxcatcher” – e que já está na lista de apostas dos principais analistas do carequinha dourado.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave