Após seis horas de protesto, manifestantes se misturam aos torcedores

Ruas da Savassi estão lotadas de milhares de torcedores, manifestantes e, também, policiais militares; clima agora é de micareta

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO/ BRUNA CARMONA |

GUILHERME ÁVILA/WEB REPÓRTER
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Após uma manifestação pacífica de pouco mais de seis horas na Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, as pessoas que protestavam começaram a se dispersar por volta das 18h30 e se misturaram com os torcedores que assistiam à partida entre Brasil e México.

O clima agora, por volta das 19h, é de micareta. Mais cedo, separados apenas pela Polícia Militar (PM), a região estava dividida entre os que queriam assistir ao jogo e os que queriam protestar contra o evento esportivo. 

Segundo o tenente coronel Alberto Luiz, porta-voz da PM mineira, houve um pouco de tensão apenas no fim do ato. "Quando eles tentaram se locomover para a praça da Liberdade houve um pouco de tensão. Mas a tropa os acompanhou  e usamos a tática do envelopamento para evitar problemas", afirmou o militar.

O porta-voz da Polícia Militar completa: "O que a PM está dizendo é: querem se manifestar? Vai ser do nosso lado. Nós seremos a sombra deles, e isso vai continuar sendo feito."

O protesto

Os manifestantes começaram a se reunir na Savassi por volta das 12h, sendo que a via só foi fechada por volta das 13h. Apesar da previsão de 1.200 pessoas estarem presentes, somente cerca de 200 participam do ato, segundo a informação da PM. O protesto aconteceu em forma de festa junina, pelada no meio da via fechada, apresentação de bandas e peças teatrais.

"Não estamos com medo. Estamos aqui pela livre manifestação depois do que aconteceu sábado. A ideia é fazer uma manifestação artística e alegre, e mostrar que temos direito de ocupar a rua", diz Nathália Duarte, integrante do movimento Tarifa Zero.

Durante o protesto, turistas de vários países começaram a fotografar o movimento. "Acho que é uma manifestação pacífica, é uma conjuntura que torna tudo mais evidente", diz a bailarina venezuelana Patrícia Cebreiros; para ela, esta é uma forma criativa de denunciar os problemas do país.

A presença dos policiais agradou à maioria dos torcedores. Esta é a opinião das amigas Penha Viana, de 45 anos, e Cristiana Pereira, de 28. "Viemos porque sabíamos que a PM ia garantir a segurança e, por enquanto, está tranquilo. Acho que cada um tem seu espaço para manifestar e torcer, não pode é invadir o espaço do outro" disse Cristiane.

O estudante Vinicius Monteiro, de 22, que chegou com a bandeira do Brasil nas costas, se assustou com a quantidade de policiais e em saber que estava havendo um protesto. "Não imaginava que encontraria isso aqui. Pelo menos com esse tanto de policial não deve ter confusão" disse.

Perto dali, os manifestantes que entoam gritos de ordem eram contra o aparato policial preparado para reprimir o protesto. "Este é um momento de unir forças, momento que a gente tem para mudar a história. E as pessoas ficam com medo desse tanto de policial. É um aparato muito grande de repressão. Fica muito desigual", afirma a professora da educação infantil Cida Melo, de 55 anos, que também é diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH).

Ela acredita que, com as manifestações acontecendo durante a Copa, o mundo verá a hostilidade contra eles. "O problema não são os jogos, e sim o gasto existente. Enquanto isso, os governantes esquecem da saúde, educação e dos sem casa. E esses policiais, que ficam aqui sem água e sem comida? Falta de dignidade", finalizou a professora.

Hino e seleção

Quando o hino nacional foi cantado pelos que torcem pela Seleção nos bares lotados da região, os manifestantes ignoraram o momento. Somente após o fim dele tiveram início as vaias entre os que protestavam. Cercadas pelos policiais, somente pessoas com roupas verde e amarela tinham a passagem para a área dos bares da região autorizada pela polícia.

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