Mesmo em menor número, torcida da Argélia dá show no Mineirão

Africanos deram show de empolgação com tambores, gritos e palmas

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Casal de brasileiros escolheu a Bélgica:ele, pelo futebol, ela, porque só achou a tinta nas cores da seleção européia
Daniel Ottoni/Webrepórter
Casal de brasileiros escolheu a Bélgica:ele, pelo futebol, ela, porque só achou a tinta nas cores da seleção européia

A cada jogo da Copa do Mundo, a invasão de torcedores se modifica. Enquanto o primeiro jogo no Mineirão, entre Colômbia e Grécia, contou com um mar amarelo nas arquibancadas, o duelo entre Bélgica e Algéria teve maioria brasileira no estádio, que contou com 56.800 torcedores.

Mas nem por isso, a animação foi menor no Gigante da Pampulha. Quem imaginou que os argelinos ficariam em desvantagem por estarem em menor número, deve ter mudado de opinião assim que entrou no Mineirão.

O som dos tambores, acompanhado por buzina de caminhão, palmas e centenas de vozes em sintonia, chamava atenção antes mesmo de subir as escadas.  Mesmo com sua entrada proibida, os africanos deram um jeito de fazer os instrumentos passarem pela revista na entrada.

A reunião branca, verde e vermelha mostrava a concentração de africanos em um único local do estádio, ao contrário dos belgas, mais dispersos. As músicas em francês e a vestimenta com túnicas e turbantes mostraram que a diferença ia muito além da empolgada postura.

Diferença de postura

Como a união faz a força, não teve quem não se animasse com a torcida africana, que foi à loucura após o gol de abertura do placar, aos 25 min, com Feghouli. “One, two, three, viva Algerie”, foi um dos principais gritos dos argelinos, que viram a vitória escapar pelos dedos com dois gols sofridos no segundo tempo.  A música foi lembrada antes do apito final, para deixar claro o orgulho pela seleção, ganhando ou perdendo.

“Temos um jeito próprio de torcer, assim como o brasileiro tem sua forma. Levamos o nosso coração para a seleção. Isso é o que importa. Gostei muito de ver torcedores dos dois times unidos na Savassi, cantando e dançando. Foi muito bonito ver esta união”, salienta o argelino Omar Dali ao lado da esposa Hayat, coberta dos pés à cabeça. “Não sinto calor, estou acostumada com essa roupa”, garante.

Pelo lado belga, a expectativa de uma torcida mais eufórica se confirmou, em boa parte pela virada conquistada nos minutos finais.

“Podemos ser mais tranquilos no começo, mas à medida que o jogo for avançando, vamos nos soltando. A cerveja ajuda bastante”, brinca o belga Frederic Mseeuw.

Muitos brasileiros e torcedores locais tentaram chamar a atenção com gritos de Atlético, Cruzeiro e o já conhecido ‘sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor’, todos entoados por poucos minutos e sem grande empolgação.

Brasileiros preferiram Bélgica

A talentosa geração belga não deixou dúvida em muitos brasileiros que compareceram ao jogo no Mineirão. Com o rosto pintado com as cores preta, amarela e vermelha, o estudante Cássio Alencar mostrava conhecer bem alguns dos jogadores dos Diabos Vermelhos.

“Alguns atletas belgas são top de linha na Europa, vivem o melhor momento da carreira e carregam a responsabilidade de corresponder a uma grande expectativa. O bom futebol que eles mostraram nos últimos anos pesou para que eu torcesse por eles”, afirma. 

Ele ainda destaca a qualidade do time africano, que possui condições de incomodar as principais forças do grupo H. “O time não é tão ruim como muitos pensam. Quando o jogo começar, vocês verão isso”, elogia.

Já a namorada de Cássio, Annalice Chandoha, teve um critério menos importante para torcer pela Bélgica. “Queria mesmo era torcer pela Argélia, mas na loja de tintas que nós fomos , não encontramos a cor verde. Tive que me contentar em pintar o rosco com as cores da Bélgica”, diverte-se.

Para ela, o mais importante era estar presente em um jogo que pode ficar na história dos Mundiais. “Minha maior torcida é por um jogo de muitos gols, daqueles memoráveis. Se isso acontecer, já estarei feliz”, admite.

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