Savassi está dividida entre manifestantes e torcedores da Copa

Enquanto alguns protestam, outros apoiam a presença ostensiva da polícia, que cerca os manifestantes e protegem os estabelecimentos da região

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Savassi está verde e amarelo durante o jogo da seleção
GUILHERME ÁVILA/WEB REPÓRTER
Savassi está verde e amarelo durante o jogo da seleção

Na tarde desta terça-feira (17), a Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, uma das muitas regiões boêmias da capital, está dividida entre manifestantes antiCopa e pessoas interessadas em assistir a partida entre Brasil e México. Cerca de 200 manifestantes fecham a avenida Getúlio Vargas cercados por homens da Polícia Militar (PM).

Enquanto o hino nacional era cantado pelos que torcem pela seleção nos bares lotados da região, os manifestantes ignoraram. Somente após o fim dele tiveram início as vaias entre os que protestavam. A presença dos policiais agrada aos torcedores. Esta é a opinião das amigas Penha Viana, de 45 anos, e Cristiana Pereira, de 28. "Viemos por que sabíamos que a PM ia garantir a segurança e, por enquanto, está tranquilo. Acho que cada um tem seu espaço para manifestar e torcer, não pode é invadir o espaço do outro" disse Cristiane.

O estudante Vinicius Monteiro, de 22, que chegou com a bandeira do Brasil nas costas, se assustou com a quantidade de policiais e em saber que tava havendo um protesto. "Não imaginava que encontraria isso aqui. Pelo menos com esse tanto de policial não deve ter confusão" disse.

Perto dali, os manifestantes que entoam gritos de ordem são contra o aparato policial preparado para reprimir o protesto. "Este é um momento de unir forças, momento que a gente tem para mudar a história. E as pessoas ficam com medo desse tanto de policial. É um aparato muito grande de repressão. Fica muito desigual", afirma a professora da educação infantil Cida Melo, de 55 anos, que também é diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH).

Ela acredita que, com as manifestações acontecendo durante a Copa, o mundo vê a hostilidade contra eles. "O problema não são os jogos, e sim o gasto existente. Enquanto isso, os governantes esquecem da saúde, educação e dos sem casa. E esses policiais, que ficam aqui sem água sem comida. Falta de dignidade", finalizou a professora.

O protesto

Os manifestantes começaram a se reunir na Savassi por volta das 12h, sendo que a via só foi fechada por volta das 13h. Apesar da previsão de 1.200 pessoas estarem presentes, somente cerca de 200 participam do ato, segundo a informação da PM. O protesto acontece em forma de festa junina, pelada no meio da via fechada, apresentação de bandas e peças teatrais.

"Não estamos com medo. Estamos aqui pela livre manifestação depois do que aconteceu sábado. A ideia é fazer uma manifestação artística e alegre, e mostrar que temos direito de ocupar a rua", diz Nathália Duarte, integrante do movimento Tarifa Zero.

Durante o protesto, turistas de vários países começaram a fotografar o movimento. "Acho que é uma manifestação pacífica, é uma conjuntura que torna tudo mais evidente", diz a bailarina venezuelana Patrícia Cebreiros; para ela, esta é uma forma criativa de denunciar os problemas do país.