Belgas vão de ônibus e fazem a festa no Brasil

Torcedores estrangeiros são só elogios ao povo brasileiro e estão confiantes na seleção de seu país

iG Minas Gerais | Ricardo Corrêa |

Belgas indo ver o jogo contra a Argélia
Webrepórter: Ricardo Corrêa
Belgas indo ver o jogo contra a Argélia
A Copa do Mundo é uma festa e, em festa, a regra é aproveitar. Assim fizeram os belgas, que acompanhamos a caminho do Mineirão. São primos, parentes e amigos de Adriana Muls, que viu essa história começar quando sua mãe, brasileira, foi estudar na Bélgica, nos anos 60. A história, que poderia prosseguir na Europa, voltou a encontrar o Brasil quando, para aceitar o casamento com o europeu, a mãe de Adriana exigiu que morassem por aqui. E é por isso que, hoje, Adriana, que nasceu no Congo belga, está em casa, como anfitriã dos parentes que torcem pela seleção. Hoje, o grupo de 'brasileiros' com sotaque de lá está maior. Laura e Simon, por exemplo, estão morando em Nova Lima. Ela, há três anos. Ele, há oito meses. Fazem parte do grupo de oito pessoas que foi ao estádio ontem vibrar com a melhor seleção belga de todos os tempos. Durante a viagem, tranquila e sem reclamações, em um ônibus comum, após enfrentar uma fila razoável na Savassi, eles falam de futebol. Destacam os jogadores da seleção que estão em grandes clubes da Europa e do sonho de encarar a Holanda, quem sabe, em uma semifinal.  A Holanda está para a Bélgica como o Brasil está para a Argentina. São vizinhos e rivais históricos no futebol. E, ao longo do tempo, os holandeses sempre tiveram um time melhor. Agora, a equipe laranja é novamente favorita a uma Copa. Mas e a Bélgica? “Esse time da Bélgica é melhor. A Holanda tem um grande time, mas a seleção atual da Bélgica é melhor”, avalia Simon, sem qualquer modéstia. Ele é namorado de Laura, que, em três anos no Brasil, já descobriu o que o país tem de melhor. “As pessoas. O povo brasileiro é muito alegre, muito quente, muito gentil”. Mas não só isso. Antes de entrar no estádio ela já sabia o que ia comer: “O tropeiro, todo mundo diz que é ótimo”. O namorado, Simon, que chegou bem depois ao Brasil, já está totalmente adaptado. Não reclama do calor e escolheu até um time para torcer. “É o Galão”, diz, com sotaque belga, sem o til, realçando que conhece Jô, Ronaldinho, e “aquele goleiro que também é muito bom”.   A viagem Os belgas não tiveram problema algum na ida para o estádio. Fizeram uma viagem pouco confortável de ônibus, que se deu em pé para alguns deles, mas não reclamaram. Acharam tempo até para conversar com brasileiros. Pelo menos aqueles que já falam o português, como é o caso de Simon e Laura. Os outros, pelas palavras que já aprenderam no país, mostram mesmo que são belgas legítimos: “Chopp”, diz uma. “Cerveja”, diz o outro. Chegando na região da Pampulha, passando pela igreja, o pai de Laura mostrou conhecimento: “Niemeyer?”, perguntou para Adriana, que completou: “com painel de Portinari”. Com igrejinha, Mineirão, tropeiro, Savassi e uma hora dentro do veículo do transporte público, já dá para dizer que tiveram um dia de belo-horizontino. Em campo, foi difícil. Mas, após um susto no primeiro tempo, a vitória deu a certeza: a saga dos belgas está apenas começando. O próximo destino é o Rio de Janeiro.  

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