Refeições especiais, carinho e muita hospitalidade

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Dedicação. Para fazer os argelinos se sentirem em casa, hotel de Belo Horizonte mudou completamente sua rotina e chegou a contratar até uma intérprete
DENILTON DIAS / O TEMPO
Dedicação. Para fazer os argelinos se sentirem em casa, hotel de Belo Horizonte mudou completamente sua rotina e chegou a contratar até uma intérprete

Eles são alegres, falam alto, andam em grupos e têm costumes muito diferentes dos nossos. Atender bem os argelinos que chegaram a Belo Horizonte para torcer por sua seleção hoje foi um desafio para os hoteis da cidade. No Ícone, que foi inaugurado na semana passada e está reservado exclusivamente para eles até nesta quarta, a negociação com a agência de viagem durou um mês e meio. “Eles queriam saber se íamos conseguir atender as exigências da cultura deles”, diz o gestor de hospitalidade, Luciano Aganetti.

A principal exigência é em relação à carne: nada de porco, e os outros tipos têm que seguir uma série de rituais muçulmanos, que vão do abate ao modo de preparo. Até o açougue onde a carne é comprada foi indicado por um centro islâmico em Belo Horizonte, conta a proprietária do buffet Pimenta Gastronomia, Patrícia Pimenta. O certificado, escrito em árabe, está na cozinha do hotel. Ela é a responsável pelas refeições dos argelinos no Ícone e no Ramada, ambos do grupo Vert.

“Para eles, nada de comida mineira”, conta ela. Feijão tropeiro, tutu e outras iguarias passam longe do cardápio que tem muitos vegetais, carne de cordeiro e peixe. Do Brasil, pouca coisa. “Eles estão adorando banana, maçã e o café”, diz Aganetti.

Outra diferença em relação aos brasileiros é que eles não bebem álcool e bebidas, como o vinho, não podem ser usadas nem no preparo dos pratos. Para acompanhar as refeições, apenas água e refrigerante.

Resolvido o problema das refeições, o grupo que está no Ícone trata de aproveitar Belo Horizonte. São 47 torcedores, todos homens, já acostumados à Copa do Mundo. Muitos estiveram na África do Sul, em 2010, e alguns acompanham o Mundial desde a Espanha, em 1982.

Do Brasil, eles conhecem pouco: “Pelé, Garrincha, Rivaldo, Ronaldo, Romário, Kaká e Ronaldinho”, enumera Zoheir Mohamed, que ainda não conhece o talento de Neymar. Como lembrança da passagem pela cidade, ele vai levar uma camisa do Atlético com o nome de R10.

No primeiro dia na capital mineira, eles conheceram um shopping, passaram pelo centro e queriam procurar um museu. Para a noite, os planos eram mais animados. “Conhecer um samba e as mulheres”, disse Abibi Bilbi, dando voz ao desejo do grupo, que afirma que 2.000 argelinos estão no Brasil.

Os argelinos falam apenas árabe e francês, e o hotel contratou uma intérprete para facilitar a comunicação. Na chegada à cidade, o idioma foi uma barreira. Entre encontrar um táxi e fazer o taxista entender o endereço do hotel, passaram-se cinco horas, metade do tempo de voo do país natal até aqui.

Brasil é o favorito no bolão Sabendo que as chances de seu país chegar à final da Copa são reduzidíssimas – esta é a quarta Copa do Mundo da Argélia, e, nas outras três participações, o time não passou da primeira fase – o bolão dos argelinos gira em torno das grandes seleções. A maioria deles acredita que o Brasil vai ser campeão, e uma final diante da Alemanha é a mais desejada. Porém, há quem aposte na Itália ou na Argentina como candidatas mais fortes ao título. No meio das apostas, Adel Salah chega a sonhar: “A semifinal podia ser Brasil x Argélia”, diz, provocando risos no grupo. Em seguida, ele diz que o favorito é mesmo o Brasil.

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