‘Caldeirão de Hamburgo’ é tática criada por alemães em 1986

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Na internet, sociólogos e manifestantes afirmam que a estratégia de cercar ativistas usada pelas polícias de Minas, São Paulo e outros Estados tem origem na Alemanha. Em 1986, policiais alemães cercaram por 13 horas 800 pessoas que protestavam, deixando-as sem comida e água. Hoje, a tática Caldeirão de Hamburgo é proibida na Alemanha.

“Esse tipo de articulação tem um problema gravíssimo porque você acaba com o direito de ir e vir para evitar o confronto. É a primeira vez que isso ocorre aqui em BH”, diz o sociólogo e cientista político Rudá Ricci. O comandante do Batalhão Copa, tenente-coronel Hércules de Paula Freitas, explica que não houve isolamento total. “Estamos fazendo uma contenção do protesto e direcionando para áreas mais tranquilas. O objetivo é evitar lugares que possam ter desdobramentos violentos”. Segundo Freitas, a manifestação e seus deslocamentos devem ser comunicados com antecedência de 48 horas às autoridades. “Estão usando o direito de manifestar para fazer confusão. O protesto se desvirtuou. Se quiserem ir para o Mineirão, que seja separadamente, para torcer.” Para o sociólogo, a estratégia da polícia foi definida antes de ser executada no último sábado, mas quando a cidade viveu um caos com as depredações, na quinta-feira passada, na abertura da Copa. “No dia seguinte, a polícia se mostrou pressionada a tomar uma atitude, assumiu que errou e veio com a repressão total. Chamar todos de ‘vândalos’ é uma irresponsabilidade”, afirma Ricci. O sociólogo diz que as manifestações do ano passado, com 20 mil pessoas nas ruas, perderam apoio da população. “Muitos estão contentes, em clima de Copa.” O MP informou que vai acompanhar os próximos atos. “Temos que garantir o direito de manifestação e livre expressão, mas infelizmente alguns utilizam isso para praticar atos de vandalismo”, disse o procurador José Antônio Baeta.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave