Ministério Público Federal denuncia Embraforte

Vigilantes trabalhavam em condições análogas à escravidão

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Protesto. Em dezembro de 2013, funcionários cobraram salários na porta da sede da Embraforte
alex de jesus - 25.12.2013
Protesto. Em dezembro de 2013, funcionários cobraram salários na porta da sede da Embraforte

A transportadora de valores Embraforte foi denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF) por manter trabalhadores em condições análogas às de trabalho escravo. Desde janeiro deste ano, a empresa já está incluída na Lista Suja do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), um cadastro que reúne as empregadoras que exercem práticas semelhantes a escravidão. Essa foi uma punição administrativa do MTE. Já o MPF pede que a Justiça julgue a empresa criminalmente e os sócios Marcos André de Vilhena e Pedro Henrique Gonçalves de Vilhena poderão ser condenados à prisão.  

O coordenador do Projeto de Combate ao Trabalho Análogo ao de Escravo da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais, Marcelo Campos, conta que a fiscalização foi feita em 2012, a pedido da Polícia Federal. “Constatamos diversas irregularidades e esse foi o primeiro caso em que conseguimos configurar a jornada exaustiva em Minas Gerais como trabalho análogo ao de escravo. Verificamos situações absurdas como vigilantes trabalhando sem intervalo, o dia inteiro fechados nos carros-fortes. Inclusive, tinham até que fazer suas necessidades fisiológicas dentro dos veículos”, lembra Campos.

Segundo o auditor fiscal, se forem condenados, os proprietários poderão pegar até dez anos de prisão. “Essa pena ainda poderá ser multiplicada por vítima. E foram mais de 100 trabalhadores nessas condições”, afirma Campos.

A reportagem tentou entrar em contato com representantes da Embraforte, mas, até a noite de nessa segunda, o site da empresa estava fora do ar e ninguém atendia ao telefone. Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados das Empresas de Transporte de Valores de Minas Gerais (Sinttrav), Emanoel Sady, a transportadora está fechada desde maio.

“Do fim do ano para cá, ela demitiu cerca de 300 pessoas e não fez acerto com ninguém. Conseguimos que os trabalhadores tivessem acesso ao seguro-desemprego graças à intermediação do Ministério do Trabalho. Tem muita gente passando necessidades porque não recebeu. Tem pai de família com prisão decretada por não pagar pensão e tem gente sendo despejado por não pagar o aluguel”, conta o presidente do Sinttrav.

“Essa ação do Ministério Público vem mostrar que as denúncias de trabalho análogo à escravidão e não pagamento de verbas rescisórias feitas pelo sindicato estão corretas ”, afirma Sady.

Más condições

Risco. Na ação do MPF, a Procuradoria da República também acusa os sócios da Embraforte de colocar as vidas dos funcionários em risco devido à falta de manutenção dos veículos.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave