Ator denuncia agressão da PM

Jovem de 25 anos afirma ter levado tiros de bala de borracha, chutes e socos de um grupo de militares

iG Minas Gerais | bruna carmona |

Facebook. Jhonathan Oliveira divulgou as imagens dos ferimentos que teriam sido provocados pela PM
Reprodução Facebook
Facebook. Jhonathan Oliveira divulgou as imagens dos ferimentos que teriam sido provocados pela PM

“Era um grupo de mais ou menos seis policiais que me mandavam deitar. Nessa hora eu já imaginava do que se tratava, o que eu não imaginava era o que iria acontecer comigo. Deitei-me no chão e, logo em seguida, senti um ‘pisão’ muito forte em minhas costas, foi aí que começou a pancadaria”. Esse trecho faz parte do relato do ator e estudante de teatro Jhonathan Oliveira, 25, que denunciou no Facebook ter sido agredido por militares durante a manifestação antiCopa ocorrida no dia 12 de junho, em Belo Horizonte.

No relato publicado por Oliveira em sua página, ele conta que voltava da praça Sete, no centro, após participar do protesto, quando foi surpreendido por um forte impacto de um tiro de bala de borracha e pelos gritos de “deita, deita, deita”. “Não teve abordagem. Não perguntaram meu nome, não me revistaram”, disse o ator à reportagem de O TEMPO. Oliveira revelou que obedeceu às ordens para se deitar, mas que mesmo assim foi agredido com chutes e socos na rua Espírito Santo. Os supostos agressores ainda lançaram spray de pimenta contra seus olhos. Após algum tempo, o ator afirmou que outro policial apareceu e perguntou para aonde ele ia. Quando respondeu que voltaria para casa, o militar o mandou correr. Oliveira procurou atendimento médico na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Centro-Sul. Ele disse que, além da medicação para tratar os ferimentos e as dores no corpo, tem tomado remédios para dormir. O ator divulgou fotos dos machucados e o link de um vídeo feito por um morador da região. Nas imagens, um grupo de policiais parece cercar uma pessoa na rua Espírito Santo, que o ator acredita ser ele (Clique aqui para ver).

Nesta terça, Oliveira deve procurar a Corregedoria da Polícia Militar, o Ministério Público e a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para denunciar as agressões. A reportagem de O TEMPO entrou em contato com o tenente-coronel Alberto Luiz, responsável pela comunicação da Polícia Militar, e ele afirmou que, apesar de não ter sido feita uma denúncia formal, a PM já tem conhecimento da mensagem publicada no Facebook. “Cabe à Polícia Militar orientá-lo a procurar a Corregedoria, reunindo as provas que ele tem, a fim de que possa ser instaurado um procedimento para apurar o caso”. Ainda segundo ele, o ator pode procurar o Ministério Público para fazer a denúncia, caso se sinta mais confortável. “A PM jamais treinou seus homens para violar direitos do cidadão e muito menos ferir a dignidade da pessoa ou os direitos humanos”.

Mídia Ninja Relato. A repórter Karinny Rodrigues, 19, do grupo Mídia Ninja, também disse ter sido agredida pela PM no protesto do último dia 12, antes de ser presa sob a acusação de depredação. Ela foi liberada. 

Quatro artistas são detidos com tinta e arame Quatro artistas que participam do Espaço Comum Luiz Estrela, no bairro Santa Efigênia, na região Centro-Sul da capital, foram detidos nesta segunda na avenida dos Andradas. Segundo o advogado Joviano Mayer, que acompanhava o grupo, os artistas foram presos porque estavam com materiais como arame, tinta e madeira, que seriam utilizados em uma intervenção cultural chamada Arte Contra a Copa, às 18h, na rua Guaicurus, próximo ao Espaço Cultural 104. Segundo o tenente-coronel Alberto Luiz, o grupo portava objetos utilizados em manifestações não pacíficas, como correntes, tábua com prego exposto e pedras. Todos dentro de um carrinho de supermercado. Alguns desses materiais são armas brancas.