Para Lula, quem xingou Dilma ‘não sabe o que é calo na mão’

Lançamento de candidatura petista se transformou em ato de solidariedade à presidente

iG Minas Gerais |

Sem Dilma, Reunida em São Paulo para lançar Alexandre Padilha, cúpula petista reagiu a xingamentos contra a presidente da República
ADRIANA SPACA
Sem Dilma, Reunida em São Paulo para lançar Alexandre Padilha, cúpula petista reagiu a xingamentos contra a presidente da República

SÃO PAULO. O lançamento da candidatura do ex-ministro Alexandre Padilha ao governo de São Paulo ontem transformou-se em ato em solidariedade à presidente Dilma Rousseff, em função dos xingamentos que ela recebeu da torcida na abertura da Copa do Mundo, na última quinta-feira, e no Mineirão, anteontem. Também foi espaço para resposta aos ataques de tucanos no sábado, na oficialização da candidatura do senador Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República.

Fiador da candidatura de Padilha e principal cabo eleitoral do petista, o ex-presidente Lula disse que existe uma campanha de ódio por parte dos adversários contra o PT e que as hostilidades dirigidas a Dilma tiveram origem em parte da elite “que não sabe o que é um calo na mão”. “Duvido que alguma pessoa com o mínimo de educação trataria a presidente com o desrespeito como parte da elite tratou a Dilma”, disse ao lembrar das manifestações contra a presidente, quando parte do público gritou, em coro, “ei, Dilma, vai tomar no ...”.

O ex-presidente afirmou que o suposto ódio da oposição contra o governo do PT resultará em uma campanha eleitoral “atípica” e “perigosa” em 2014. “Se em 2002 tínhamos que fazer a esperança vencer o medo, agora a campanha consiste em esperança vencer o ódio”. “Se esse tipinho de gente acha que fazendo o que fez com a Dilma vai nos amedrontar, eu quero dizer para eles que se tivesse medo, teria pedido a minha mãe para não nascer. Nasci para enfrentar esse tipo de gente”, disse Lula.

O petista evitou citar Aécio Neves, adversário do seu partido na eleição de outubro. Mas criticou diretamente o ex-presidente Fernando Henrique, que fora exaltado pelos tucanos no dia anterior durante o lançamento da campanha tucana à Presidência. Lula classificou como uma “desfaçatez” FHC acusar o PT de corrupção em discurso no ato pró-Aécio. “Ele devia dizer quem estabeleceu a promiscuidade entre o Poder Executivo e o Congresso, quando começou a comprar voto para ser aprovada a reeleição em 1996”, disse Lula, sem citar o julgamento do mensalão, circunstância em que dirigentes petistas foram condenados pelo STF sob a acusação de comprar apoio político no Congresso no período em que ele era presidente.

Imprensa

Culpa. Lula voltou a culpar a imprensa pela queda de Dilma nas pesquisas. Disse que jornalistas que se identificam como profissionais “não políticos”, na verdade, são tucanos dispostos a criticar o PT.

Mal-estar

Ausência. Dilma era aguardada no lançamento da candidatura de Padilha, mas cancelou na última hora, causando mal-estar entre os petistas. Ela alegou motivos de saúde e a necessidade de tempo para se preparar para encontro, à noite, com a chanceler alemã Angela Merkel, em Brasília.

Vídeo. Dirigentes contavam com a presença da presidente para alavancar a candidatura petista em São Paulo. A presidente gravou um vídeo de apoio a Padilha.

Repúdio. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, reclamou da falta de solidariedade dos tucanos aos xingamentos contra Dilma. “O mínimo que a política com ‘P’ maiúsculo deveria ter é um gesto de solidariedade.”

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