Erupção social

iG Minas Gerais |

O evento de abertura da Copa do Mundo, em São Paulo, pelas manifestações registradas, dá o tom de como parte da população brasileira tem agravado a falta de qualidade e a deseducação incorporadas nas suas atitudes, muitas da quais expressas como protestos populares. Ninguém pode negar que a presidente Dilma Rousseff não é uma referência de simpatia, mas também é óbvio que seu governo está sofrendo as consequências de um alinhamento nacional orquestrado. Motivado pela forma como vem sendo apresentada a quase falência de seu projeto político. Discussões sobre índices baixos de desenvolvimento econômico, uma equivocada relação com partidos e com políticos de sua base de apoio, a inversão de prioridades realçada no confronto das opções feitas para realização da Copa e a inadiável solução de carências históricas do país são os ingredientes de toda convulsão que se precisa armar. No mesmo dia em que a presidente foi mandada tomar no ... por uma multidão presente no Itaquerão, em outras capitais grupos se articularam para quebrar o patrimônio privado e público. Em Minas, picharam o prédio da Biblioteca Pública, quebraram o relógio da Copa e, surpreendentemente, invadiram o Detran, onde tombaram uma viatura da Polícia Civil. Falta de ação das polícias que, nesse tumulto todo, insistentemente avisado e convocado pelas redes sociais, conseguiram prender apenas meia dúzia de baderneiros, tipos encapuzados que no resto do mundo são reputados como criminosos, vândalos e os melhores tratados como vadios irresponsáveis. Hoje no Brasil meia dúzia de desocupados ou ignorantes ou as duas coisas juntas é capaz de fechar ruas, invadir prédios, depredar patrimônios e ainda reivindicar tratamento especial. As consequências disso estamos vendo todos os dias nas relações de toda espécie e grau em que a força e violência substituem o entendimento e a impunidade gera a vulnerabilidade da vida nacional. Injustiça, desrespeito à norma legal, afrontosa e permanente contestação da autoridade do Estado são os resultados que tais grupos estão semeando e, com isso, provocam a ampliação de sua ação em todo país. Como não têm propostas claras – porque são o protesto de cada um – qualquer governante que chegar ao poder, Dilma, Aécio, Eduardo Campos, Marina haverá de confrontar-se com essas estruturas que hoje protagonizam a cena política. Com que mágica se relacionarão com tais segmentos que só conhecem a baderna e a violência para fazerem atendidas suas demandas?

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