Mexicanos enfrentam aventura de bicicleta pela América até o Brasil

Com pouco dinheiro no bolso e sem lugar para dormir, dupla saiu de Monterrey para acompanhar Copa do Mundo e El Tri in loco

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira |

Festa dos torcedores empolga delegação mexicana, que chegou neste domingo à Fortaleza
douglas magno
Festa dos torcedores empolga delegação mexicana, que chegou neste domingo à Fortaleza

Fortaleza (CE). O futebol se mostra apaixonante quando se depara com as loucuras que os torcedores fazem, simplesmente, porque são fanáticos. Os amigos mexicanos Edgar Gari, 27, e Hector Sanchez, saíram de Monterrey, no norte do país, e percorreram de bicicleta quase 6.000km pela América Central, Colômbia e parte do Norte e Nordeste do Brasil até Fortaleza, onde o México enfrenta a seleção brasileira, nesta terça-feira.

A aventura começou em janeiro deste ano, com apenas 200 dólares no bolso. Logo nos primeiros dias, a grana já acabou. Eles não dormem em hotéis ou algo parecido. Os postos de gasolina ao longo das estradas são seus únicos aposentos.

“Gostamos dessa cultura brasileira que tem chuveiro, banheiro e galpão para redes nos postos de gasolina. Não precisamos de casa. Se temos um copo de água, já serve para tomamos banho”, conta a dupla, que chegou a ficar uma semana sem uma ducha d’água.

Às vezes, o mar, rios e córregos são as únicas alternativas. Gari é ferreiro e soldador. Hector, engenheiro agrônomo. Eles deixaram famílias e amigos por lá para adotar a vida de hippie. Para se sustentar, fazem malabares nos sinais ou vendem artesanatos.

Quando falavam com a reportagem tinham exatamente R$ 6 na carteira. Para comer, um pacote de bolacha água e sal e manteiga. Mesmo diante de tanta dificuldade, eles nunca deixaram o sorriso de lado. Ontem pela manhã, eles estavam na praia de Iracema para felicitar a chegada da delegação mexicana.

“No Brasil tem uma gente muito boa, de coração muito grande”, defendem. De Fortaleza, eles disseram que vão seguir para Recife, onde o México enfrenta a Croácia, dia 23. Para nenhum dos jogos do México, eles têm ingressos.

Não menos loucos que Hector e Gari, Elias de Souza Aguiar e o filho de 23 anos, pedalavam pela avenida Beira-Mar em Fortaleza, em uma bicicleta gigante, de 3,30 m de altura, de 3,5 m de comprimento 85 kg. Difícil pedalar. “Para mim, não, para você, impossível”, pondera.

Brasileiro nascido em São Paulo, mas criado em Corumbá (MT), Elias vestia o verde da camisa mexicana porque foi lá que resolveu morar depois de casar-se com uma mexicana. Ele esteve com a bicicleta na Copa de 1994, nos Estados Unidos, da França, em 1998, e da África do Sul, em 2010. No total, já marcou presença em sete Copas do Mundo.

Pai e filho deixaram a cidade de Leon, no México, em fevereiro de 2013. No percurso até o Brasil, eles pegaram um avião do Panamá até Recife, mas o resto do percurso pela América Central, eles garantem fazer em duas rodas.

Para financiar a aventura, eles vendem pulseiras. Elias trouxe 20 mil adereços, e já vendeu 8 mil ao preço de R$ 2.

Leia tudo sobre: méxicoel tribicicletaaventurabrasilcopa do mundomonterreymalabarismopulseirasvenda