Violência não impediu afegãos de escolher presidente nesse sábado

Segundo autoridades eleitorais, cerca de 7 milhões de eleitores foram escolher o sucessor do presidente Hamid Karzai

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Ataques do Taleban mataram pelo menos 68 pessoas em todo o Afeganistão durante o segundo turno da eleição presidencial, realizado nesse sábado (14), mas os ataques não foram suficientes para prejudicar a votação ou ter impacto significativo no comparecimento às urnas, afirmaram autoridades afegãs neste domingo.

O segundo turno eleitoral marca a primeira transferência democrática de poder da história do Afeganistão. Segundo autoridades eleitorais, cerca de 7 milhões de eleitores foram escolher o sucessor do presidente Hamid Karzai, que vem governando o país desde a invasão norte-americana, em 2001.

O ex-ministro de Relações Exteriores, Abdullah Abdullah, e o ex-ministro de Finanças, Ashraf Ghani, se enfrentaram no pleito, que aconteceu após o primeiro turno, em 5 de abril.

Embora resultados preliminares não devam ser divulgados até 2 de julho, Abdullah já deu indícios de que se sente vitorioso. "Nossa performance foi extraordinária...o resultado é claro", afirmou. Já Ghani foi mais cauteloso, saudando a eleição como um "sucesso da nação, o sinal de que o país está acordando". Os dois candidatos apresentaram acusações de fraude durante o processo eleitoral.

O vencedor terá de dirigir o país após a saída das forças de combate lideradas pelos Estados Unidos em dezembro. Outra questão importante é a contração da economia local com a redução da ajuda internacional e a manutenção da insurgência do Taleban.

Muitos afegãos foram encorajados pelo fracasso do Taleban em prejudicar a eleição, que os insurgentes consideraram ilegítimas já que foi realizada enquanto tropas estrangeiras ainda estão no país. Os insurgentes realizaram centenas de ataques em todo o país durante o dia de votação, mas nenhum deles foi tão grande a ponto de interromper o pleito em grandes centros.

"Nós tivemos dois grandes vencedores: o povo afegão, que praticou seus direitos civis, e a segurança, que provou ser capaz de defender o país", disse Waliullah Rahmani, diretor do Centro para Estudos Estratégicos, em Cabul. As forças de segurança estrangeiras praticamente não participaram de atividades durante a eleição.

Segundo dados preliminares do governo afegão, pelo menos 39 civis e 29 oficiais de segurança afegãos foram mortos e várias pessoas ficaram feridas no sábado, números maiores do que os do primeiro turno, em abril. O governo afirma ter matado 176 membros do Taleban. Os insurgentes afirmaram ter lançado 868 ataques, reconhecendo nove baixas em suas fileiras.

O comparecimento às urnas no sábado foi basicamente o mesmo do primeiro turno, quando Abdullah recebeu 45% dos votos e Ghani, 31.6%.

Agência Estado

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