Após suspensão, Beckenbauer decide colaborar em investigações do Qatar

Suspenso por não colaborar com as investigações de corrupção na escolha da Copa no Qatar-2022, alemão aceitou ser entrevistado pela Fifa

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Reprodução/The Guardian
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Suspenso provisoriamente por 90 dias de qualquer atividade no futebol por não colaborar com as investigações de corrupção na escolha da Copa do Mundo do Qatar-2022, o ex-jogador alemão Franz Beckenbauer voltou atrás e aceitou ser entrevistado pelo comitê de ética da Fifa.

A decisão foi anunciada em nota oficial publicada pelo agente do bicampeão mundial, Marcus Höfl. "Como não há mais violação do código de ética, esperamos que a suspensão seja cancelada automaticamente", diz trecho do comunicado.

Segundo Höfl, Beckenbauer pensava que não precisava participar da investigação por não ser mais membro do comitê executivo da Fifa e não recebeu nenhuma ligação da entidade avisando dessa responsabilidade."A questão com os investigadores do comitê de ética nunca foi sobre se ele iria responder às perguntas, mas como ele faria. Franz Beckenbauer vai responder às perguntas, por escrito, em alemão".

Campeão mundial em 1974 como jogador e 1990 como técnico, o ídolo alemão fazia parte do comitê executivo da Fifa quando o Qatar foi escolhido para receber a competição e, consequentemente, participou da votação do país-sede.Ele não aceitou ser interrogado pelo chefe do comitê de ética da entidade, Michael Garcia, sobre o caso.

Devido à infração, o ex-jogador foi punido com a proibição de trabalhar como treinador, membro de comissão técnica ou dirigente de nenhuma equipe ou seleção por um prazo de 90 dias. Garcia havia solicitado uma série de esclarecimentos de Beckenbauer por causa das informações publicadas na imprensa britânica sobre seus supostos vínculos com as empresas Emirates e Gazprom, que poderiam ter influenciado em seu voto de 2010, sendo ainda membro do Comitê Executivo da Fifa.

O alemão não respondeu, o que posteriormente explicou ao jornal "Bild" com o argumento de que o pedido estava escrito em um inglês jurídico que ele não entendeu e que não tinham conseguido enviar-lhe uma tradução. Ao popular jornal alemão, ele também negou qualquer envolvimento nos casos de suposta corrupção que Garcia investiga.

Em uma primeira reação na sexta, ao canal "Skyp News", o ex-jogador tentou minimizar a questão e respondeu sem hesitar que inicialmente achou que o pedido da Comissão Ética fosse uma brincadeira.

Beckenbauer decidiu abandonar o comitê executivo em junho de 2011, quando começaram a vir à tona as suspeitas de corrupção no processo seletivo da Copa. Apontou questões familiares como motivo do afastamento.

Segundo reportagem do jornal "Sunday Times", o alemão esteve em Doha apenas cinco meses antes da votação juntamente com empresários do setor de petróleo e gás, que o haviam contratado como consultor.

O jornal britânico também publicou que um ex-alto dirigente de futebol do Qatar gastou US$ 5 milhões (R$ 11,1 milhões) para comprar votos na eleição da sede do Mundial. O caso foi investigado pelo comitê de ética da Fifa, que já elaborou seu relatório final sobre a denúncia. O conteúdo do dossiê elaborado por Michael Garcia só será revelado depois do fim da Copa deste ano.

Beckenbauer disputou três Copas do Mundo como jogador (1966, 1970 e 1974), dirigiu a Alemanha em dois Mundiais (1986 e 1990) e foi presidente do comitê organizador da competição em 2006.

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