Excesso de manifestações é melhor do que povo acomodado

iG Minas Gerais |


Concessionária foi invadida e incendiada na Antônio Carlos, em 2013
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Concessionária foi invadida e incendiada na Antônio Carlos, em 2013

Os protestos realizados em junho de 2013 também foram responsáveis por despertar nos brasileiros o hábito de manifestar para exigir direitos. Sociólogos ouvidos pela reportagem veem esse novo costume como positivo e afirmam que ele estava apenas adormecido até ser despertado pelo clima de revolta que tomou o país no ano passado.

Ao ser questionado sobre os pequenos protestos que acontecem pelo Brasil, em que a população, por exemplo, bloqueia rodovias e queima pneus, o sociólogo e cientista político Rudá Ricci afirma que “junho de 2013 educou vários segmentos a protestar, mas também estimulou reações de intolerância”.

“Mas eu prefiro esse tipo de excesso, com muitas manifestações, do que não ter nenhuma. Esse tipo de racionalização é para quem nunca viveu uma ditadura”. Os especialistas também acreditam que a menor adesão da população às manifestações deste ano se deu em função da violência empregada nos atos de 2013, que afastou a classe média dos protestos.

“Provavelmente não teremos jornadas como no ano passado, mas isso não significa que o povo está acomodado. O clima de revolta ainda é muito grande”, diz o sociólogo da PUC Minas Robson Sávio.

“A gente nunca imaginou o quanto a população ia apoiar os protestos. Então, está muito difícil prever como será neste ano. Talvez as primeiras manifestações serão pequenas, mas existe um clima de insatisfação muito grande”, avalia Isabella Gonçalves Miranda, militante do Copac e das Brigadas Populares. (JHC)

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave