Movimento social forte é o maior legado dos protestos de 2013

Estudiosos acreditam que houve a criação de uma nova cultura política, pautada pela busca por direitos

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

O início. Durante a Copa das Confederações, população brasileira protestou por diversas pautas
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
O início. Durante a Copa das Confederações, população brasileira protestou por diversas pautas

Foi no dia 15 de junho de 2013 que cerca de 8.000 pessoas marcharam pelas ruas do centro de Belo Horizonte no primeiro grande protesto contra a Copa do Mundo na capital. Exatamente um ano após o ato – que foi sucedido por eventos violentos, até mesmo com mortes – especialistas e ativistas são unânimes em afirmar que o grande legado dessas manifestações foi o fortalecimento dos movimentos sociais e a criação de uma nova cultura política, pautada pela insatisfação popular e pela busca por direitos.

No campo prático, no entanto, as conquistas foram modestas. Em Belo Horizonte, a redução de R$ 0,15 nas passagens de ônibus durou somente até o último mês de maio. Já a auditoria realizada nas contas do transporte coletivo acabou contestada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Houve ainda as promessas feitas pelo então governador Antonio Anastasia, como a reformulação do Conselho Estadual de Transporte e um estudo para integrar as tarifas dos ônibus da capital e da região metropolitana, que não prosperaram.

Por meio de sua assessoria, o governo de Minas informou que um projeto de lei que propõe a criação do Conselho de Transporte Intermunicipal e Metropolitano tramita na Assembleia Legislativa. A administração estadual ainda destacou que a integração das tarifas do transporte coletivo da capital e da região metropolitana passou por modificações nos últimos anos. Os ônibus das linhas metropolitanas já estão integrados com o metrô. Já os coletivos da região Norte fazem integração com o Move (nome dado ao BRT) metropolitano.

“Tudo que não aconteceu tem relação com tomada de decisões dos governantes, como a reforma política proposta pela Dilma ou a aberturas das contas do transporte público. Nesses itens, os governantes não moveram uma vírgula. Mas o legado da mobilização é gigantesco porque nunca tivemos um poder público tão inseguro”, analisa o sociólogo e cientista político Rudá Ricci.

Vitórias. A pressão também implicou em algumas vitórias para os manifestantes. Uma delas foi a transferência da concessão do transporte coletivo de Ribeirão das Neves e Esmeraldas, na região metropolitana. Após uma série de protestos, a empresa Transimão deixou de operar o sistema nas cidades.

Opiniões

“O sentimento de insatisfação ainda é o mesmo de 2013 para mim. Há ainda um caldo de cultura popular que pode virar de novo uma grande manifestação de rua.”

Rudá Ricci - Sociólogo e cientista político

“Aquelas jornadas marcam um divisor de água na política brasileira, e as eleições deste ano poderão dar um pouco mais de concretude a algumas demandas populares.”

Robson Sávio - Sociólogo

“As pautas difusas e pontuais (dos manifestantes) estão revelando o universo de carências da sociedade brasileira. Mas o problema é como transformar isso em um projeto de país.”

Moysés Gonçalves - Sociólogo

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