Disputa apertada nas eleições colombianas

Juan Manuel Santos e Óscar Iván Zuluaga se enfrentam nas urnas hoje

iG Minas Gerais |

Juan Manuel Santos é o atual mandatário que busca a reeleição
Fernando Vergara
Juan Manuel Santos é o atual mandatário que busca a reeleição

Bogotá, Colômbia. A previsão de tempo chuvoso na costa colombiana e a perspectiva de uma maratona de três jogos na Copa do Mundo estão tirando o sono dos chefes de campanha de Juan Manuel Santos. Para vencer as eleições de hoje o atual mandatário precisa que os eleitores da região costeira, seu tradicional nicho eleitoral, se animem a sair de casa para votar. Ali, onde a abstenção foi de 70% no primeiro turno, travou-se a parte mais agressiva de sua última semana de campanha. O voto não é obrigatório no país.

Enquanto isso, seu rival, Óscar Iván Zuluaga, vencedor do primeiro turno por apenas três pontos percentuais, concentrou sua ação nas regiões onde seu discurso linha-dura contra as negociações que o governo leva adiante desde o final de 2012 com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) é mais potente: a zona da Antioquia, cuja capital é Medellín, e o interior do país.

As mais recentes pesquisas apontam para uma vitória apertada de Zuluaga ou para um empate técnico. A consultoria que dá o resultado mais folgado para o candidato opositor, apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), é a Ipsos, com oito pontos de diferença. A Cifras y Conceptos e a Datexco indicam apenas três pontos percentuais a favor de Santos. Já a Gallup mostra menos de um ponto de diferença entre ambos. “Tudo vai depender do comparecimento dos eleitores. Se for baixo, como no primeiro turno, Zuluaga ganha”, diz o analista político Juan Gabriel Tokatlian.

A última semana de campanha viu um Santos candidato bem diferente. Favorito à reeleição em primeiro turno até janeiro, o presidente quase não havia comparecido a debates e sua campanha foi discreta. Com a economia colombiana passando por um bom momento – o país tem crescimento acima de 4% do PIB e baixa inflação – e um acordo de paz com as Farc em andamento, Santos manteve-se otimista.

Enquanto isso, o ex-presidente Uribe começou a ganhar espaço político ao eleger-se senador nas eleições legislativas de março. Oportunista, aproveitou o momento em que Santos começou a falar abertamente em fazer concessões à guerrilha (anistia e representação política) para impulsionar seu candidato a presidente. Segundo pesquisa do Gallup, 78% dos colombianos repudiam que ex-guerrilheiros tenham acesso a cadeiras do Congresso sem pagar por seus crimes.

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