Brasil desperdiça potencial turístico

Apesar das praias, gastronomia e natureza, apenas 6 milhões de estrangeiros visitam o país por ano

iG Minas Gerais |

Em queda. Belezas naturais não ajudam a melhorar participação do país no turismo internacional
PEDRO GONTIJO - 14.1.2014
Em queda. Belezas naturais não ajudam a melhorar participação do país no turismo internacional

Rio de Janeiro. Um país continental, praias entre as mais bonitas do mundo, diversidade numa das maiores florestas do planeta, alagados repletos de animais selvagens, centros históricos de tirar o fôlego e gastronomia ímpar. Mesmo com esse cenário paradisíaco, o Brasil não consegue avançar na atração de turistas estrangeiros. Em 2000, entraram no país 5,3 milhões. Em 2013, foram 6 milhões. Precisou de 13 anos para aumentar em 700 mil o número de visitantes de fora, ou 13,2%.

Os números da América do Sul dão a dimensão da lentidão brasileira na atração de turistas. O aumento foi de 80,26%, num universo de 27,4 milhões. A média mundial foi 57,7% no mesmo período. A vizinha Argentina conquistou quase o mesmo volume de turistas que o Brasil: 5,7 milhões no ano passado, apesar da crise que faz subir os preços por lá.

Uma série de razões justifica a velocidade de carroça no aumento do total de turistas estrangeiros que visitam o Brasil, dizem especialistas: a distância de regiões como Estados Unidos e Europa, a exigência de visto e a dificuldade para obtê-lo, o investimento pífio em promoção no exterior, falta de planejamento, uso político e pouca importância dada à pasta do setor.

“A Embratur (braço do Ministério do Turismo para promover o Brasil lá fora) tem boa vontade, mas o orçamento é muito pequeno. Teria que ser de R$ 1 bilhão, para participar de mais feiras, desenvolver aplicativos de turismo, comprar horário no Discovery Channel”, diz Respício do Espírito Santo, professor da UFRJ, especialista em transporte aéreo e turismo.

E a verba vem caindo. Encolheu 37% desde 2011, quando foi de R$ 188,4 milhões, chegando a R$ 117,3 milhões este ano. Em 2013 e 2014, recebeu R$ 28,3 milhões de outros órgãos do governo federal. Para fontes do mercado, o pouco dinheiro deixa o Brasil fora das prateleiras de compra das grandes feiras internacionais.

“Todo ano escuto a Embratur anunciar que o turismo internacional cresceu 8%, 10%, mas o número de turistas não muda. Temos um país continental, diversidade, gastronomia, clima. É uma incompetência total”, afirmou Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH-RJ).

No ranking mundial, o Brasil, que figura entre as dez maiores economias do mundo, ocupa a 45ª posição em recepção de turistas estrangeiros. Ao longo dos anos, foi perdendo participação no turismo internacional, saindo de 0,7%, em 2000, para 0,5%, em 2012.

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