Pedalar é preciso

iG Minas Gerais |

Vocês se lembram de quando bicicleta era um veículo de trabalhador ou da classe média que usava o equipamento apenas como esporte, mas não para se transportar no dia a dia? Pois é. Esse tempo passou. Embora os dois exemplos que eu dei continuem a existir, um novo tipo de ciclista surgiu e se tornou uma personagem comum no cenário urbano. E ele pede passagem, literalmente. A bicicleta é a forma de transporte perfeita: não produz emissões, ocupa menos espaço nas ruas e ainda por cima ajuda a manter a forma física enquanto leva a pessoa a algum lugar – o que mais pedir de uma forma de transporte? Eu tenho notado um número cada vez maior de lojas de bicicleta para atender a essa demanda crescente, além de criar um novo mercado de trabalho. OK, em cidades com muitas ladeiras talvez seja difícil circular o tempo inteiro de bicicleta, mas acho que é seguro dizer que na maioria das cidades do Brasil existe um potencial grande de substituir uma parte dos percursos feitos de carro pela bicicleta. Um dos desafios para os ciclistas e responsáveis por planejamento urbano é que as cidades no Brasil cresceram para acomodar carros e não ciclistas (o pedestre menos ainda). As ruas estão entupidas de carros, a verticalização do país deixou pouco espaço para o elemento humano – às vezes o pedestre não tem sequer uma calçada por onde passar. Os ciclistas tem que encontrar seu caminho no meio dessa selva de pedra e enfrentar a hostilidade de muitos motoristas. Esses erroneamente acham que são mais donos das ruas do que o resto da população, já que “compraram” seu status social com o carro, uma ideia que infelizmente o governo federal sustenta com suas políticas pró-carro. O novo ciclista que surgiu no Brasil nos últimos anos é uma criatura politizada, que está exigindo seus direitos no trânsito e ajudando a resolver um problema que é função do governo fazer: o da mobilidade urbana. O Brasil precisa andar, mas no momento ele não consegue o fazer por causa do excesso de carros nas ruas. As cidades no Brasil viraram um grande engarrafamento, o que gera estresse, poluição e perda de produtividade. Em muitas cidades no Brasil existem agora grupos de ciclistas ativistas que se organizam via internet para pedalar, trocar dicas, falar sobre políticas públicas e protestar. E tem dado resultados. Mais ciclovias estão aparecendo, ruas são fechadas no final de semana para ocupação de pedestres e ciclistas, e os motoristas estão sendo educados a respeitar a bicicleta como um meio legítimo de transporte. Nas eleições, vamos exigir que os candidatos incluam bicicletas em seus planos de mobilidade urbana. A bicicleta, então, tornou-se de certa forma uma solução antiga para um problema novo. Daqui para frente, espere ver muito mais bicicletas nas ruas. E isso é uma ótima notícia. Lobo Pasolini é jornalista, blogueiro e videomaker. Ele escreve sobre energia renovável e questões verdes para www.energyrefuge.com e www.energiapositiva.info

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