Atos mudaram a vida de personagens de 2013

Empresária relembra que enfrentou vândalos; médico voluntário teria saído do país

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Prejuízo. Quebra-quebra do ano passado na avenida Antônio Carlos danificou estabelecimentos
Alex de Jesus - 26.6.2013
Prejuízo. Quebra-quebra do ano passado na avenida Antônio Carlos danificou estabelecimentos

Um ano após os protestos que movimentaram o país em junho, personagens que, de alguma forma, se destacaram durante as manifestações de 2013 em Belo Horizonte tiveram a vida transformada nos últimos meses. Um exemplo é da empresária Ana Paula Rabelo Freitas, que ficou conhecida por enfrentar os vândalos que atacaram sua lavanderia na avenida Antônio Carlos. Ela conseguiu impedir que eles destruíssem a loja, que agora está funcionando em um outro local.

“Já tinha planos de mudar de endereço para ter uma sede própria, mas seria algo só para o fim do ano e início de 2015, mas (com os acontecimentos de 2013) adiantei para fazer a mudança antes, e para evitar estar lá caso tenha algum problema novamente”, afirma. A empresária não quis informar o endereço da nova loja, mas garantiu que “está fora dos limites do território Fifa”.

Ana Paula lembra que há quase um ano, ela estava participando das manifestações quando, de longe, avistou o momento em que os vândalos tentaram saquear seu estabelecimento, após incendiarem uma concessionária ao lado da sua loja.

“Eu chorei, ajoelhei e pedi pelo amor de Deus, explicando que aquilo era o meu ganha-pão. Não cheguei a ter medo dos vândalos, mas que eles botassem fogo na empresa porque eles destruíram a concessionária inteira que fica ao lado”, disse em entrevista para O TEMPO, em 27 de junho de 2013.

Segundo a empresária, policiais e bombeiros demoraram para atender seus pedidos de socorro, e, por isso, precisou atuar. “Os prejuízos que tive foram só aqueles do dia, como computadores, móveis e cadeiras, mas depois segui em frente”, diz.

Voluntários. O médico Giovano Iannotti, que, no ano passado, organizou um grupo de médicos voluntários para atuar durante as manifestações e ajudar no socorro aos feridos, parece que já não está mais morando no Brasil.

A reportagem foi informada pela secretaria do curso de medicina da Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas), em Belo Horizonte, do qual o médico já fez parte, que ele se mudou para o exterior. Ele também foi procurado por telefone, mas não foi encontrado.

Em reportagem veiculada em O TEMPO no dia 29 de junho de 2013, Iannotti criticou a atuação das autoridades nos protestos daquele ano e disse ter presenciado omissão de socorro por parte dos policiais.

“A prefeitura tem que ser mais bem preparada para esse tipo de evento. Se Belo Horizonte quer sediar a Copa, tem que ter gente competente. Nós estávamos atuando como voluntários em um lugar do poder público, mas não havia Samu perto, apenas no Mineirão. Esse tipo de coisa mostra despreparo, principalmente sendo um evento internacional”, disse, no ano passado.

Filho manifestante

Uma discussão entre pai e filho vem chamando a atenção nas redes sociais. A cena aconteceu nessa quinta durante protesto em São Paulo. O adolescente, com uma camisa enrolada no rosto, discutia com o pai pelo “direito de brigar por um país melhor”. O pai grita: “Você vai ter o seu direito quando você começar a trabalhar e ganhar o seu direito”, exclama. “Deixa eu protestar. Eu quero estudo”, afirmou filho. “Você já tem. Eu pago sua escola”, responde o pai.

Força no Maracanã

Para coibir a chegada de manifestantes ao Maracanã pelo metrô, como aconteceu na última quinta-feira no Itaquerão, na abertura da Copa, em São Paulo, a PM do Rio e a Força Nacional de Segurança vão atuar com 250 homens nas três estações de metrô próximas ao estádio (Maracanã, São Cristóvão e São Francisco Xavier), neste domingo, dia do jogo Argentina x Bósnia. Cento e cinquenta PMs ficarão dentro das estações.

Ofensiva na Bahia

Policiais militares atiraram bombas de gás em um grupo de cerca de cem manifestantes que faziam protesto contra a Copa em Salvador nessa sexta. Eles estavam mascarados e arrancaram bandeiras do Brasil de carros por onde passaram. Os manifestantes seguiram para o Farol da Barra, onde é realizada a Fan Fest da Fifa, mas foram atacados pela PM quando chegavam ao topo da Ladeira da Barra. A ofensiva da PM ocorreu com os manifestantes ainda distantes do cordão de isolamento.

Direitos Humanos

A ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Diretos Humanos (SDH) da Presidência da República, classificou como “desnecessária” e “inadequada” a ação policial na repressão aos protestos nessa quinta. Na apresentação das ações de enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes na Copa do Mundo nessa sexta, ela citou o caso de São Paulo, onde um manifestante “subjugado” foi detido por policiais e recebeu spray de pimenta nos olhos.

Antônio Carlos

Na noite dessa sexta, o clima era de tranquilidade na avenida Antônio Carlos, apesar de trabalhadores da região demonstrarem medo do protesto agendado para hoje na capital. Concessionárias, bancos e postos de gasolina colocaram tapumes e contêineres como proteção. As estações do Move não estavam cobertas. Policiais patrulhavam a via.

No Rio, Sininho é indiciada por incitar violência em protestos Rio de Janeiro. O advogado Marino D’Icarahy, que representa a ativista Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, afirmou nessa sexta que tomou conhecimento de que ela foi indiciada por incitar ação violenta durante protestos no Rio de Janeiro. A jovem foi nessa sexta à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI). Segundo o advogado, ela não depôs formalmente, pois a defesa não teve acesso ao inquérito, que está em segredo de Justiça. O inquérito apura o envolvimento de ativistas em manifestações e a compra de fogos de artifício. Na última quarta-feira, agentes cumpriram 17 mandados de busca e apreensão na Barra, no Centro, no Catete, em Botafogo, Bangu e Niterói, onde recolheram computadores, objetos e documentos. Num imóvel em Copacabana, onde mora a ativista, foi apreendido um computador.

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