Passarelas improvisadas e sem manutenção oferecem risco

Acompanhada de um especialista, reportagem analisou 17 das 22 travessias do Anel Rodoviário

iG Minas Gerais | Laura Zschaber |

São Francisco. Piso escorregadio desafia pedestres
DENILTON DIAS / O TEMPO
São Francisco. Piso escorregadio desafia pedestres

As passarelas são instaladas com o intuito de garantir a segurança dos pedestres, mas, em muitos casos, quando são colocadas de maneira inadequada ou ficam sem manutenção, acabam tornando a travessia ainda mais perigosa. Acompanhada de um especialista, a reportagem de O TEMPO percorreu o Anel Rodoviário, uma das principais vias da capital e palco de recentes protestos de moradores por causa da precariedade das passarelas. O cenário encontrado na análise de 17 de suas 22 passarelas foi de estruturas danificadas e vandalizadas.

No trecho de 20 km percorridos, foram encontradas passarelas com grades enferrujadas, tortas e faltando pedaços, além de travessias provisórias construídas com materiais inadequados e que acabam se tornando fixas. Muitos guarda-corpos – proteção das laterais das passarelas – estão quebrados e pichados. Em alguns locais visitados, havia até mesmo moradias improvisadas dentro das alças das passarelas, colocando em risco os próprios moradores. VIstoria. Na primeira estrutura visitada, que liga os bairros Bonsucesso e Palmeiras, na região Oeste, há grades soltas e arrebentadas. “Essas aberturas criam risco de queda. As passarelas devem ser bem fechadas para proteger o pedestre na sua travessia”, afirma o engenheiro Elzo Nassaralla, diretor do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco). No bairro Santa Maria, na região Noroeste, boa parte do corrimão de outra passarela está danificado. As grades estão tão contorcidas que “deitam” no passeio, perdendo a finalidade de apoiar os pedestres na subida. Para o engenheiro, é evidente que não há vistoria frequente e adequada. “As passarelas têm que ser vistoriadas todo mês, e a manutenção da pintura e da limpeza, por exemplo, deve ser feita pelo menos a cada seis meses. Infelizmente, não é o que têm acontecido”. Em outro trecho, próximo ao bairro Nova Cachoeirinha há mais irregularidades. Além das pichações e laterais quebradas, casas foram construídas bem perto da estrutura, uma está inclusive dentro da alça da passarela. Em outra construção no local, o guarda-corpo foi usado como escada da entrada da casa. “Construções irregulares como essas são uma ameaça para a integridade da passarela e dos moradores”, diz o especialista. No bairro São José, na região Noroeste, parte do guarda-corpo, justamente em uma curva, está quebrada. “Esse vão é extremamente perigoso, principalmente para crianças que muitas vezes soltam das mãos dos pais e correm na frente. A chance de a pessoa não ver que aqui tem um buraco é grande”, alerta Nassaralla. A passarela na altura do bairro São Francisco já foi palco para duas quedas. Segundo o especialista, ela foi feita para ser provisória, com escoramento de tubos, o que não é a melhor solução, e poderia ser usada por no máximo seis meses – no entanto, ela já está lá há cerca de dois anos. Ainda conforme Nassaralla, o apoio central está tão desprotegido que, caso haja uma batida, toda passarela pode cair. “Várias pessoas escorregam ali porque ela é toda feita de ripas de madeira lisa, e muitas estão soltas. Meu pai já caiu e está internado até hoje”, contou a dona de casa Aline Cristina, 18.

Futebol Campo. Segundo o auxiliar de caminhão Marcelo Ferreira, 35, moradores do bairro São Francisco teriam retirado partes da passarela da região para construir traves de gol de um campinho de futebol.

Responsável Dnit. Responsável pelas passarelas do Anel, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que as vistorias acontecem mensalmente e são feitas por técnicos do departamento e por funcionários da empresa contratada para manutenção do Anel. Normal. O Dnit afirmou que as passarelas estão em boas condições, mas não passou dados de seu último levantamento. No caso da passarela provisória do bairro São Francisco, o Dnit informou que as vistorias são semanais.

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