Iniciativa entende a leitura como um direito do cidadão

Criado em 2006, plano nacional cria diretrizes para serem implementadas nos municípios

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Discussão. Há um ano, FMC tem feito encontros para discutir plano com boa adesão da população
ALINE SILVEIRA
Discussão. Há um ano, FMC tem feito encontros para discutir plano com boa adesão da população

Na tentativa de reverter a lacuna histórica que é o baixo índice de leitura no Brasil, em 2006 os ministérios da Educação e da Cultura criaram o Plano Nacional de Livro e Leitura (PNLL), que está em processo de implementação e aprimoramento nos municípios e estados da união. “É uma política pública de Estado”, destaca José Castilho, secretário-executivo do PNLL.

Entender a leitura como direito para além de sua funcionalidade é o que o plano preconiza. “Creio que o principal índice que nós queremos superar é do INAF (Índice Nacional de Analfabetismo Funcional) que mostra que apenas 26% dos alfabetizados possuem leitura plena, ou seja, são capazes de compreender a totalidade daquilo que leem. Esse é um índice histórico que demora a ser superado e o principal é entender que a conquista da leitura é um direto”, assinala Castilho.

Com o intuito de fomentar o debate e amadurecer as demandas específicas de Belo Horizonte, a Fundação Municipal de Cultura organizou mais uma reunião pública aberta, na última terça, para colocar o Plano Municipal de Literatura em pauta. O encontro contou com participação de José Castilho. “Nós já começamos essa discussão há mais de um ano, fizemos reuniões públicas em Belo Horizonte e está interessante porque a sociedade civil está participando muito: editores, escritores, gestores de biblioteca, professores”, destaca Fabíola Farias, coordenadora da rede de bibliotecas e leitura da FMC.

Da última reunião, se formou um grupo executivo responsável por formalizar as pautas e demandas levantas nas reuniões, que são abertas a quem se interessar pela discussão. “Conseguimos formalizar um grupo paritário, com 24 integrantes – 12 de entidades civis e 12 do poder público, para fazer a minuta do plano municipal e diagnosticar a cidade e seu cenário cultural em torno da leitura”, revela a coordenadora.

O plano tem basicamente quatro pontos centrais: democratização do acesso; fomento à leitura e à formação de mediadores; valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico; e desenvolvimento da economia do livro. “Embora tenhamos necessidade de desenvolver cada uma dessas diretrizes, talvez a mais importante seja a democratização do acesso. Porque todo o resto gira em torno dela”, avalia Fabíola.

Muito embora haja um ascensão de camadas sociais, que passaram a consumir mais, esse crescimento em relação ao poder de compra que resvala no aumento de vendas do mercado editorial não é exatamente o que buscam os idealizadores do plano. “Os best-sellers viram uma mercadoria como um tênis, um celular. Não é possível saber o nível de permanência dessa leitura. Porque o livro é só mais um produto da moda. O plano quer valorizar essa leitura e que ela extrapole essa compreensão”, explicita Fabíola.

Castilho elogia as ações feitas na cidade. “Minas Gerais tem uma tradição literária enorme e a cidade tem uma estrutura de bibliotecas que facilitaria muito”, garante ele.

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