Outro gol de placa

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“Com passaporte italiano são 410 mil no Brasil, mas os descendentes são cerca de 30 milhões”
Barbara Dutra / Divulgação
“Com passaporte italiano são 410 mil no Brasil, mas os descendentes são cerca de 30 milhões”

Jogar contra a poderosa seleção italiana é perigosa honra. Entrevistar, pela segunda vez, o embaixador da Itália no Brasil, Raffaele Trombetta, é deliciosa honra. Dia 9, ele voltou a Belo Horizonte para a inauguração da nova Casa Fiat de Cultura, no Circuito Cultural Praça da Liberdade. Deu mais um show de arte, simpatia, inteligência e, claro, cultura.

Estão cada vez mais próximas as relações Minas-Itália, haja visto o tecido cultural que a Fiat costurou através desta Casa Fiat e da exposição “Barroco Itália Brasil – Prata e Ouro”. Mais que uma integração socioeconômica, é uma interação humana?

Esta exposição maravilhosa do barroco italiano com o barroco mineiro é mais uma testemunha dessa parceria. E este projeto é parte de uma programação mais ampla que a Embaixada da Itália está promovendo neste período, que é a Itália na Copa. São eventos culturais e de parcerias comerciais, industriais e tecnológicas entre Itália e Brasil. Acompanhando este tecido, hoje a maior festa da Itália no Brasil acontece em Belo Horizonte...

A presença italiana em Minas é forte, sendo a Fiat o maior exemplo dessa presença que não é só comercial, mas cultural, ambiental e social. E eu gosto muito disso, como o projeto de cidadania patrocinado pela Fiat, Árvore da Vida, que atinge diretamente as pessoas. Quantos italianos vivem hoje em Minas e no Brasil?

Acho que mais de 60 mil em Minas. Com passaporte italiano são 410 mil no Brasil, mas os descendentes são cerca de 30 milhões. Esta exposição sobre o barroco reforça os laços entre Brasil e Itália, não é mesmo?

Com certeza. Estou particularmente orgulhoso porque a parte italiana da exposição é de uma região que eu conheço muito bem, que é a minha – Nápoles, Campânia e Calábria, mais ao Sul da Itália –, onde, a partir do século XVI, se concentravam os mestres. No momento em que vemos a organização de blocos de países em desenvolvimento, como os Brics, de que forma isso altera a relação desses emergentes com países desenvolvidos, em especial a Itália?

A princípio, não altera. A Itália será a presidente da União Europeia a partir de 1º de julho. Neste momento, a UE está negociando com o Mercosul um acordo comercial muito importante para ambos. Então, no caso da Itália e da Europa, não temos medo desses outros blocos, pelo contrário, buscamos parcerias. Os italianos que estão chegando para a Copa estão assustados com as manifestações ou tranquilos? Nossa imagem é ruim lá fora?

Estão tranquilos. Estive com a seleção italiana, desde quando chegou ao país. Falei com a equipe e não há preocupação. É claro que os jornalistas italianos estão escrevendo artigos sobre a situação no Brasil. Mas acho que tudo vai dar certo. Se as manifestações forem pacíficas, é um direito do povo. Outra coisa é a violência. E na hora de torcer, o italiano que vive no Brasil vai apoiar qual seleção? Arrisca um palpite sobre quem vai ganhar a Copa?

Espero que vá torcer por ambos até a final. Depois, vamos ver. Como italiano, não posso dar palpite (risos).  

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