Taxista encontra 40 ingressos e devolve a mexicanos

Adilson Luiz da Cruz, 42, levou um susto quando deu de cara com o bolinho de tíquetes que estava dentro de uma pasta deixada no banco de trás do táxi

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

 São-paulino fanático, Adilson Luiz da Cruz, 42, sempre sonhou em assistir a um jogo da Copa no estádio. E ele esteve bem perto de realizá-lo, justamente, no Mundial que está sendo realizado no Brasil: encontrou 40 ingressos no seu táxi na madrugada de quinta-feira (12), dia da abertura entre Brasil e Croácia. Mas não pensou duas vezes para devolvê-los aos verdadeiros donos.

"Aquilo não era meu, é minha obrigação devolver. Eu prestei um serviço que foi pago, preciso ir até o fim, mesmo que isso tome um tempo terrível", disse o taxista nesta sexta-feira (13), na empresa de rádio táxi a qual ele é filiado.

A criação simples, porém "rígida", da família ajudou-o a escolher o "caminho certo". "Meu pai sempre me dizia que se você encontrou algo é porque tem um dono."

Acostumado a encontrar telefones celulares, óculos, carteiras e guarda-chuvas que passageiros avoados vivem esquecendo em seu veículo, Adilson levou um susto quando deu de cara com o bolinho de tíquetes que estava dentro de uma pasta deixada no banco de trás do táxi, um Cobalt.

Àquela altura, ele já havia voltado para casa, para limpar a sujeira que um dos mexicanos que ele acabara de transportar tinha feito no carro ao derrubar um copo de cerveja. Puxou pela memória. Os ingressos -alguns deles para confrontos das oitavas e das quartas de final- só poderiam pertencer aos dois amigos.

Um pouco antes, por volta das 2h30, o taxista tinha pegado os turistas em um hotel no Morumbi, com a missão de levá-los a um lugar para beber e ver mulheres bonitas. Depois de rodarem pela zona sul de São Paulo, simpatizaram com um bar na avenida Santo Amaro e decidiram ficar por ali.

Assim como fez com todos os objetos esquecidos no veículo ao longo dos nove anos de profissão -exceto os óculos de um argentino que ele não conseguiu devolver e estão guardados em sua casa até hoje-, Adilson saiu à procura dos donos dos tíquetes.

Ao término do jogo entre Brasil e Croácia, encarou a missão de devolver as entradas. Só sabia o nome de um deles. Ulisses. "Não tinha como esquecer. O cara encheu meu carro de cerveja."

Quando voltou ao Morumbi, Ulisses e o outro amigo não estavam no hotel, mas cerca de 150 mexicanos também haviam se hospedado lá e afirmavam conhecer os dois. O taxista só devolveu os ingressos ao conferir fotos dos passageiros no celular do líder do grupo. Também pediu que ele descrevesse os jogos aos quais aqueles tíquetes davam acesso. Tudo certo, virou festa.

"Juntou um bando de gente em volta de mim. Começaram a me abraçar, pulando comigo. Fiquei feliz, ajudei a transmitir uma imagem positiva do meu país." Mas Adilson não fez tudo isso de graça. "Como recompensa, pedi que torcessem para o Brasil."