Cantora Marlene morre aos 89 anos no Rio de Janeiro

Ela estava internada no hospital Casa de Portugal, no centro da cidade, desde o dia 7 de junho, se tratando de uma pneumonia

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A cantora Marlene, uma das vozes mais famosas do rádio brasileiro na década de 1940 e responsável por uma rivalidade marcante com outra cantora, Emilinha Borba, morreu às 18h24 no Rio, nesta sexta-feira (13), aos 89 anos. Ela estava internada no hospital Casa de Portugal, no centro da cidade, desde o dia 7 de junho. Segundo informações de funcionários da instituição, a causa da morte foi uma pneumonia.

O velório deve acontecer no teatro João Caetano, na praça Tiradentes, no centro da capital fluminense. Descendente de italianos, ela nasceu Vitória Bonaiutti de Martino, em São Paulo, em 22 de dezembro de 1924, sendo a mais nova de três filhas.

Sua mãe era devota da Igreja Batista e, por isso, matriculou-a no Colégio Batista Brasileiro, pagando apenas uma taxa. As mensalidades foram descontadas, em troca de que Victória prestasse serviços ao colégio, no qual estou dos 9 aos 15 anos.

Depois, ela ingressou na Faculdade do Comércio, no centro de São Paulo, com a intenção de se tornar contadora. Ao se tornar parte de uma entidade estudantil, passa a dispor, assim como os colegas, de um espaço na rádio Bandeirantes, denominado "Hora dos Estudantes".

Passou a cantar no programa, no qual recebeu dos colegas o nome artístico de Marlene, em homenagem à atriz alemã Marlene Dietrich (1901-1992).

Logo, acabou deixando de lado a meta de se tornar contadora e assumiu de vez as funções de cantora, sem deixar que a família religiosa descobrisse.

Em 1940, estreou como profissional na rádio Tupi de São Paulo, já escondida sob o pseudônimo.

Acabou sendo descoberta, porém, pelo número de faltas em aula, já que passava muitos dias no rádio. Mesmo castigada pela mãe, estava determinada a seguir a carreira de cantora.

Por isso, em 1943, partiu para o Rio, onde conseguiu se tornar cantora do Cassino Icaraí, em Niterói. Dois meses depois, foi descoberta por Carlos Machado, que a chamou para se apresentar com sua orquestra no Cassino da Urca.

Com a proibição dos cassinos em 1946 por parte do presidente Eurico Gaspar Dutra, seguiu com a orquestra para a boate Casablanca. O ano marcou também o lançamento de suas primeiras gravações, como os sambas "Suingue no Morro" e "Ginga, Ginga, Moreno". Seu primeiro sucesso, porém, se deu no Carnaval de 1947, com "Coitadinho do Papai".

Com a música, ela estreou na rádio Nacional e fez grande sucesso em 1948.

No mesmo ano, passou a ser a estrela do hotel Copacabana Palace e ganhou o slogan que acompanhava seu nome: "Marlene, ela que canta e dança diferente". Na época, o maior nome da rádio nacional era Emilinha Borba, embora as irmãs Linda e Dircinha Batista fossem também bastante populares. Juntas, ganharam por anos consecutivos o concurso "Rainha do Rádio", organizado pela Associação Brasileira de Rádio.

Em 1949, Marlene venceu o concurso, quando a vitória de Emilinha Borba já era dada como certa.