Integrante do Mídia Ninja presa em BH denuncia agressão por militares

A denúncia circulou ontem pelas redes sociais e foi confirmada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas (OAB-MG), Willian Santos.

iG Minas Gerais | Johnatan Castro / Bruna Carmona |

Uma integrante da Mídia Ninja – grupo independente que transmite protestos ao vivo pela internet – teria sido espancada por policiais militares após ser detida durante uma manifestação realizada nesta quinta-feira (12), no centro de Belo Horizonte. A denúncia circulou ontem pelas redes sociais e foi confirmada pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas (OAB-MG), Willian Santos.

Karinny de Magalhães, 19, é natural do Estado do Pará e foi abordada por policiais enquanto transmitia o protesto por meio de um celular. Suspeita de danos ao patrimônio público, ela permanecia presa no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Centro-Sul até o fechamento desta edição.

Conforme a denúncia, ela e outros manifestantes foram levados para um quartel da Polícia Militar e agredidos. Depois, eles foram encaminhados para a Delegacia Regional Noroeste, no bairro Alípio de Melo. Segundo o membro da Mídia Ninja e amigo de Karinny, Talles Lopes, ela não cometeu nenhuma depredação e não estava nas proximidades do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MG) quando vândalos quebraram o prédio e destruíram uma viatura no local. “Não é possível ela ser acusada desse crime”, disse.

A Mídia Ninja divulgou ontem o vídeo que estava sendo feito pela detida. Nas imagens, é possível ouvir vários militares xingando os manifestantes abordados. Ao ser acusado de agressão, um deles se justifica afirmando que apenas pegou no pescoço da jovem.

O caso está sendo acompanhado pela OAB-MG, pela Defensoria Pública do Estado, pelo Ministério Público e pela Anistia Internacional, que tem sede no Rio de Janeiro. Até o fechamento desta edição, uma defensora pública aguardava o resultado do pedido de relaxamento de prisão e liberdade provisória.

A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que Karinny foi presa na avenida Amazonas, às 17h20 de anteontem, depredando patrimônio público. A corporação afirma que os militares levaram a jovem para Hospital Alberto Cavalcanti, onde ela foi medicada, e depois para a delegacia de Polícia Civil.

Um boletim de ocorrência acessado pela reportagem, no entanto, relata que somente um outro manifestante estaria ferido e que Karinny foi levada diretamente para a delegacia.

Identificação. A Polícia Civil divulgou ontem que pelo menos seis suspeitos de envolvimento no ato de depredação do Detran-MG foram identificados. Entre eles está uma estudante pernambucana, que foi presa ontem. A delegada Gislaine de Oliveira Rios está solicitando à Justiça a emissão de mandados de prisão preventiva para os outros cinco suspeitos.

De acordo com o balanço da corporação, 19 pessoas foram presas e conduzidas para a delegacia durante o protesto de anteontem. Além de Karinny, estão presos Henrique de Souza Dutra e Rhuan Joseph Campos dos Santos. A assessoria da Polícia Civil não soube informar quais as acusações dos outros dois detidos.

Todos os demais suspeitos cometeram crimes de menor potencial ofensivo, prestaram depoimento e foram liberados. Entre eles estão o médico Bruno de Almeida, 27, o engenheiro Leandro Rios de Faria, 28, e a enfermeira Kátia Santos Dias, 27. Os três também são suspeitos de vandalismo no Detran-MG e irão responder um inquérito que apura crime de dano qualificado ao patrimônio.  

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