Rússia diz que blindados ucranianos cruzaram a fronteira

Segundo o Serviço de Segurança Federal (FSB, antiga KGB) da Rússia, dois blindados entraram nesta sexta de madrugada na cidade Millerovo, na região russa de Rostov

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou nesta sexta-feira (13) que o Ministério das Relações Exteriores envie uma nota de protesto à Ucrânia pela suposta violação da fronteira por dois veículos blindados ucranianos.

"Putin determinou à chancelaria que envie uma nota de protesto à parte ucraniana por causa da violação pelos militares ucranianos da fronteira russa", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, à agência "Interfax".

Segundo o Serviço de Segurança Federal (FSB, antiga KGB) da Rússia, dois blindados entraram nesta sexta de madrugada na cidade Millerovo, na região russa de Rostov.

O primeiro teria cruzado a fronteira e parado na cidade russa por problemas com o motor, e encontrado por patrulhas fronteiriças russas que ordenaram que a tripulação ucraniana se rendesse.

Ela se negou a obedecer a ordem e foi nesse momento que o segundo blindado com ajuda chegou e que teria apontado o canhão contra os russos e recuperado seus companheiros para devolvê-los ao território ucraniano.

Segundo Moscou, o primeiro blindado continua a disposição dos militares russos como porva do incidente, que coincide com as acusações da Ucrânia da incursão de tanques russos em seu território.

A Ucrânia denunciou nesta quinta que uma coluna de blindados, com três tanques e várias peças de artilharia, cruzou a fronteira da Rússia rumo à região rebelde de Lugansk.

Segundo o Ministério do Interior da Ucrânia, os três tanques foram detectados e atacados pelas forças leais a Kiev quando avançavam rumo à cidade de Gorlivka.

A coluna de blindados teria cruzado a fronteira com a Rússia na altura do distrito de Diakovo, onde os insurgentes controlam desde a semana passada vários pontos da fronteira.

A Ucrânia, assim como os EUA e a Polônia, denunciaram que mercenários russos, chechenos e cossacos, cruzaram a fronteira para se somar às milícias pró-russas que combatem nas regiões rebeldes de Donetsk e Lugansk.

CORTE DE GÁS

O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, ordenou nesta sexta-feira ao gabinete e à empresa estatal de gás Naftogaz que se preparem para o fechamento da provisão do gás russo ao território ucraniano a partir da próxima segunda-feira.

"Yatseniuk determinou aos ministérios e aos diretores da Naftogaz da Ucrânia e às administrações regionais que passem ao plano do funcionamento da indústria energética que prevê o fechamento da provisão do gás vindo da Federação Russa a partir da segunda-feira", segundo um comunicado do governo.

O presidente também ordenou ao Ministério da Justiça e à Naftogaz que preparem um requerimento judicial contra o monopólio gasístico russo Gazprom no Tribunal de Arbitragem de Estocolmo.

Enquanto isso, os ministérios de Relações Exteriores e de Energia deverão notificar a União Europeia (UE) e os Estados Unidos "sobre a proposital ruptura por parte da Rússia das negociações e a rejeição de propostas construtivas da Ucrânia que correspondem à postura da Comissão Europeia".

"Devido à negativa unilateral proposital da Federação Russa em solucionar esse conflito a segurança energética da Ucrânia e da UE foi violada", segundo Yatseniuk.

A determinação de Yatseniuk veio depois de o Ministério de Energia da Rússia informar que não deve participar da reunião trilateral sobre o conflito gasístico entre Moscou e Kiev com a mediação da UE sem receber antes uma parcela de US$ 1,95 bilhão da Ucrânia pelo gás já enviado. A Rússia propôs uma fórmula que incluía um desconto de US$ 100 por cada mil metros cúbicos de gás, o que deixaria o valor em US$ 385.

A Ucrânia, no entanto, rejeitou a oferta por considerar que se trata ainda de um preço elevado demais e que, além disso, tem um caráter político, porque depende de uma decisão do governo e, portanto, não traz a estabilidade necessária, já que poderia ser cancelada quando Moscou quisesse.

Já a Rússia, além de reivindicar o pagamento de US$ 1,95 bilhão na segunda, cobra outros US$ 1,85 antes de 26 de junho, totalizando US$ 3,8 bilhões pelo gás exportado à Ucrânia.

O pagamento do dia 16 corresponde à fatura do gás de novembro e dezembro de 2013 (US$ 1,45 bilhão), mais um pagamento de US$ 500 milhões pelos meses de abril e maio.

O ministro de Energia da Rússia, Aleksandr Novak, advertiu nesta quarta-feira que a Rússia não entabularia novas negociações com a Ucrânia até que o primeiro pagamento fosse feito.

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