Espaços culturais e prédios públicos tentam reparar prejuízos após ato

Vandalismo tomou a cena do movimento que saiu às ruas da capital mineira contra a Copa do Mundo; bancos também foram depredados

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas/Aline Diniz |

Na manhã desta sexta-feira (13), empresas públicas e particulares de Belo Horizonte buscam calcular os prejuízos e tentam reparar os danos aos patrimônios, que foram atingidos por um grupo de vândalos, durante uma manifestação contra a Copa do Mundo.

O Cinema Belas Artes, no bairro de Lourdes, na região Centro-Sul da capital, foi um dos mais atingidos pelo quebra-quebra. Uma funcionária do local presenciou a depredação e precisou se esconder embaixo de uma escada para se proteger. O grupo, com muitos mascarados, jogou pedras no prédio e deu pontapés, mas não entrou no estabelecimento. 

“Temos câmeras de segurança que filmaram toda a ação. Se a polícia requisitar, vamos disponibilizar. Ainda não sabemos quanto soma o prejuízo e também ainda veremos se vamos colocar tapumes”, contou a coordenadora Rogéria Marcelino de Oliveira.

O cinema seria reaberto às 19h30, após a partida de esteia do Brasil, e ficaria aberto até as 21h40, mas não foi possível devido ao vandalismo. O local funciona normalmente nesta sexta-feira e sábado. 

Na praça da Liberdade, o relógio que fazia a contagem regressiva para o início do Mundial não é mais visto. Durante os atos de violência na tarde dessa quinta-feira (12), o equipamento foi alvo de pessoas mascaradas, que acabaram entrando em confronto com a Polícia Militar. O local amanheceu com o chão tomado por pedras.

Por onde o grupo de manifestantes passou, um rastro de destruição era deixado. A frente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) e do prédio da Secretaria de Estado de Fazenda tiveram vidros quebrados.

“Apoiamos a manifestação pacífica e temos que acreditar no Estado como força repressora do vandalismo. Contudo, a polícia não reprimiu da forma que deveria”, afirmou o gerente institucional e assessor da presidência da CDL-BH, Edilson Cruz.

O Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) também foi atingido pelo grupo e teve os muros pichados. “A partir do momento em que a pessoa sabe ler e escrever, ela tem conhecimento dos seus atos e sabe o que é certo e o que é errado”, defendeu o auxiliar adminsitrativo do Detran-MG, Agenor Saraiva.

O Memorial Minas Gerais Vale também teve sua lateral pichada, segundo a assessoria do Circuito Cultural da Praça da Liberdade.

Moradores da região e visitantes lamentam o ocorrido e temem pela insegurança. “Fiquei triste com a depredação, porque a região é muito boa, mas a cada dia a gente tem menos segurança”, falou a funcionária pública aposentada Vera Lúcia Mesquita, 70, que mora na região há nove anos.

De passagem pela capital, a moradora de Bom Despacho, Narcisa Amélia de Mesquita Melo, 72, acredita que a polícia precisa de mais “liberdade” para agir. “É um absurdo (o vandalismo) e a polícia tinha que ter o direito de prender para que eles (os vândalos) possam ser julgados”.

Ato antiCopa

O protesto dessa quinta-feira (12) em Belo Horizonte terminou com 15 pessoas detidas pela prática de atos de vandalismo, segundo balanço divulgado pelas polícias Militar e Civil. Entre os detidos, há dois suspeitos de participar da depredação de uma viatura da Polícia Civil na avenida João Pinheiro. 

Ainda, segundo as corporações, um policial militar foi levado para o Hospital da Polícia Militar (HPM) depois de ser ferido por uma pedra, atirada por vândalos. O repórter fotográfico Sérgio Moraes, de 52 anos, da Agência Reuters, também foi ferido durante o ato na praça Sete e está internado no Hospital de Pronto Socorro João XXIII, em observação.

Agências bancárias foram quebradas e tapumes foram arrancados. Durante a tarde, alguns comerciantes fecharam as portas com medo da ação dos vândalos.

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