Ex-atacante, zagueiro argentino se prepara para parar Dzeko

Garay diz que enxerga jogo da mesma perspectiva de quem atua na frente e consegue antecipar instinto adversário

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

O zagueiro Garay concedeu entrevista coletiva e se diz pronto para jogar na estreia da Argentina no Mundial
JOÃO GODINHO
O zagueiro Garay concedeu entrevista coletiva e se diz pronto para jogar na estreia da Argentina no Mundial

O sistema argentino pode ser questionado, mas Ezequiel Garay, 27, é um dos zagueiros mais cobiçados do futebol mundial. "Tive excelente temporada no Benfica", avaliou ele nesta quinta (12), ao falar com a imprensa pela primeira vez desde que a seleção chegou ao Brasil.

Cobiçado por grandes europeus como Bayern de Munique (ALE) e Manchester United (ING), ele confessa conhecer a psicologia do atacante. O que este pensa quando a bola está chegando e o que pretende fazer. Isso porque Garay já foi centroavante.

"Ter atuado lá na frente me ajudou muito. Fez com que eu tivesse a visão de jogo com a perspectiva do atacante. Fica mais fácil jogar quando você sabe qual é o instinto do seu adversário", costuma admitir.

As trocas de posições nas categorias de base não são raras. O meia vira atacante e vice-versa. O armador pode recuar um pouco e se tornar volante. Nos anos 80 e 90, era comum o lateral brasileiro ir para a Europa e, por causa da habilidade e bom passe, ser escalado no meio-campo. Um centroavante virar zagueiro é mais incomum.

"Até porque é difícil você abrir mão daquela sensação de fazer gols para passar a evitá-los", constata.

A mudança aconteceu quando estava com 14 anos. O técnico se cansou das falhas de um zagueiro e pediu para Garay, que estava no banco, quebrar um galho na posição. O time começou a ganhar uma partida atrás da outra. Nascia o zagueiro da seleção argentina.

Um defensor cansado de responder às mesmas perguntas a respeito da (falta de) qualidade da zaga da equipe de Alejandro Sabella. A retaguarda da seleção é criticada há tempos. Na Copa de 2010, as vítimas eram Demichelis e Heinze.

Na entrevista coletiva que concedeu nesta quinta, teve de abordar o tema quatro vezes."Sabemos que temos uma equipe muito ofensiva. Em algum momento do jogo, não poderemos defender com todos porque o potencial que temos na frente é impressionante. Precisamos fazer um bom trabalho para que a bola chegue bem no ataque", receitou.

Chegar à Copa como titular e o ter vencido o título português pelo Benfica compensam a decepção no Real Madrid (ESP), onde foi pouco aproveitado pelo técnico José Mourinho. Sem alternativas, foi para o futebol português.

Nada mal para um zagueiro que acredita em entrosamento apenas até a página três. Garay usa como princípio básico dentro de campo jamais confiar cegamente no companheiro de zaga. Nunca acreditar 100% que este não vai falhar.

"Você precisa desconfiar. Se fica parado e só espera, o atacante pode ganhar a jogada", completa. Diante da Bósnia, a desconfiança deverá atingir níveis máximos. Ao lado de Federico Fernández, deverá parar o artilheiro Edin Dzeko, 1,93m, forte na bola aérea. Tudo isso em estreia na Copa do Mundo. Algo que ele não faz muita questão de esconder que o deixa ansioso.

Apenas um centímetro menor que o principal jogador da Bósnia, Garay é capaz de conter o adversário. Não tanto pela altura, mas por saber como ele pensa. Por já ter desempenhado o papel de centroavante em campo.

"O ideal é não dar a bola parada para eles. Mas quando acontecer, estaremos atentos para anulá-la."

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