Jogo de estreia com gostinho de revanche

iG Minas Gerais | Fernando Almeida / Thiago Prata |

SALVADOR. A final de uma Copa do Mundo acirra a rivalidade entre quaisquer seleções, e a chance de conseguir a tão sonhada revanche em um Mundial às vezes leva décadas para acontecer. A Holanda, porém, terá a oportunidade já nesta Copa no Brasil, de buscar a “desejada” vingança contra a Espanha, que levou seu primeiro título mundial em 2010, após vitória por 1 a 0, diante da equipe laranja.

A ânsia holandesa terá fim logo na primeira fase do Mundial em solo brasileiro; algo inédito na história do torneio. O duelo terá início às 16h de hoje, na Arena Fonte Nova, em Salvador.

Pelo lado espanhol, a partida é encarada como mais uma chance de mostrar que a seleção continua entre as favoritas para conquistar novamente o título; mesmo que isso signifique deixar de lado a já “clássica” modéstia vista na maioria dos esportistas.

“Jogamos a final e conseguimos vencer o Mundial. Foi uma grande Copa para nós, e vamos tentar fazer o melhor pela Espanha de novo”, sintetizou o goleiro Casillas.

“Nosso objetivo sempre é vencer os rivais que teremos pela frente. Há quatro anos, vencemos a Copa do Mundo e temos a ambição e a ilusão de sermos campeões de novo”, completou.

Já na parte holandesa, o objetivo é esquecer o revés de quatro anos atrás e focar na partida de hoje, que será “apenas” mais uma das três partidas da fase de grupos do Mundial no Brasil – na chave B, a Holanda ainda enfrenta Chile e Austrália.

“Em 2010 foi a final, e, agora, é a abertura. Não vamos focar nisso (vingança), temos de olhar para o futuro. Não acredito em vingança”, disse Arjen Robben, personagem-chave para a derrota da Holanda na decisão de 2010 ao perder chances de gol contra os espanhóis.

Mescla de gerações A seleção da Espanha tem como seus principais craques jogadores com mais experiência e que, com isso, tendem a sofrer com a questão física em uma competição tão acirrada como a Copa do Mundo. Apesar desta realidade, o técnico Vicente Del Bosque é otimista e ressalta a importância da base. Para o comandante, a mescla entre a “velha” geração e a nova já começa a acontecer de uma maneira natural e tende a levar a Fúria novamente ao topo. “Temos uma seleção sub-21 que foi campeã da Europa recentemente. Eu não tenho medo do futuro. Existe uma ligação entre uma geração e outra que nos garante este bom jogo por mais tempo”, afirmou Del Bosque.

Xavi defende o estilo de jogo da Fúria

SALVADOR. Manter a posse de bola e abusar dos passes o tempo que for necessário até encontrar uma brecha e encaixar um ataque mortal. Foi desta maneira que a seleção espanhola conseguiu levantar seu primeiro troféu de campeão mundial, em 2010, e é desta forma que a Fúria irá encarar o torneio deste ano. “Dominar a partida e ser o protagonista. Estamos com esta filosofia e assim competiremos. Vamos ganhar ou morrer com este estilo de jogo”, exaltou o volante Xavi Hernández. A confiança é grande, assim como o respeito a todos os postulantes ao título mais cobiçado do futebol. E será assim nesta sexta-feira, contra a Holanda, às 16h, na Arena Fonte Nova. “Nós estamos vindo para tentar conquistar a Copa. Sabemos da dificuldade deste Mundial. Sabemos das dificuldades do grupo (B). A Holanda é um rival muito duro que vamos encarar amanhã (sexta-feira), na reedição do último Mundial. Será um grande jogo”, disse Xavi, atento às dificuldades que a Laranja poderá oferecer. “Eles têm jogadores muito rápidos. É uma equipe boa nos contra-ataques e que se posta bem atrás. E nós vamos tentar mostrar nossa personalidade e a forma de estarmos jogando há muito tempo juntos”, ressaltou.

Time holandês ensaia mudar esquema SALVADOR.O planejamento holandês não é exatamente ortodoxo. A seleção veio ao Brasil comandada por Louis van Gaal, um dos técnicos-estrela da Europa. Após a Copa, ele assumirá o Manchester United, e seu lugar será de outro conhecido: Guus Hiddink. Mas já está acertado que Hiddink ficará só dois anos. Depois da Eurocopa-2016, dará lugar a seu assistente, Danny Blind. Essa estabilidade no comando não significa, porém, imobilidade tática. Quarenta anos após a Laranja Mecânica de Rinus Michels, o atual comandante ensaia trocar o tradicional 4-3-3 pelo 5-3-2, fortalecendo a defesa e apostando no contra-ataque. “A Holanda se adaptou ao estilo dos jogadores que tem, com três jogadores de muita velocidade”, diz o meia espanhol Xavi. Ele se refere a Robben, Van Persie e Sneijder, esse último bem conhecido dos brasileiros: marcou os dois gols que eliminaram a seleção de Dunga em 2010. O novo panorama holandês pode ser determinante para a Espanha. O técnico Vicente del Bosque deu sinais de que a escalação do time pode mudar de acordo com o adversário. Uma das incógnitas deste jogo é se ele lançará como titular o brasileiro naturalizado espanhol Diego Costa ou se manterá a formação que venceu a Eurocopa-2012, com um falso camisa nove (Fàbregas). Crítica. Era uma resposta despretensiosa sobre a preparação da Holanda, mas o técnico Louis van Gaal encontrou uma maneira de criticar o pênalti marcado no Itaquerão, nessa quinta, a favor do Brasil, mesmo sem se referir diretamente à jogada. “Não podemos controlar tudo”, disse ele sobre a preparação para a partida contra a Espanha, emendando: “Depende também do juiz, como vimos nesta noite, aliás”, criticou.

Reencontros O clima de revanche é pulsante no duelo entre Espanha e Holanda. Esta será a quarta vez que duas seleções finalistas em uma Copa do Mundo se enfrentam no Mundial seguinte. Confira o histórico das revanches: Final 1966. Inglaterra 4x2 Alemanha Ocidental (1970 - Quartas de final - Alemanha Ocidental 3x2 Inglaterra) Final 1974. Holanda 1x2 Alemanha Ocidental (1978 - Segunda fase - Alemanha Ocidental 2x2 Holanda) Final 1986. Argentina 3x2 Alemanha Ocidental (1990 - Final - Argentina 0x1 Alemanha Ocidental)

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