PSDB aumenta o tom da campanha

Tucanos partem para o ataque e usam os programas de rádio e TV de aliados para criticar o PT

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |

Aliança de Pimentel com PMDB de Newton foi usada na propaganda
Wilsom Dias/ABr
Aliança de Pimentel com PMDB de Newton foi usada na propaganda

Com aliados levando às inserções na televisão e no rádio ataques contra o adversário Fernando Pimentel (PT), o PSDB tem adotado uma estratégia mais agressiva antes mesmo de a campanha eleitoral deste ano começar. Nas últimas três eleições, os tucanos venceram os adversários do PT (Nilmário Miranda em 2002 e 2006) e do PMDB (Hélio Costa) no primeiro turno e sem grandes dificuldades. O senador Aécio Neves bateu o petista por 57% a 30% dos votos em 2002 e por 77% a 22%, quatro anos depois. Seu sucessor, Antonio Anastasia, derrotou Costa por 62% a 34% dos votos nas últimas eleições.

Com uma disputa mais apertada neste ano, o PSDB mudou a estratégia, abandonando a ideia de construir uma campanha mais propositiva, como foi nas últimas eleições, e partiu para o ataque. A avaliação é do cientista político Moisés Augusto Gonçalves. “Depois de 15 anos de gestão, pela primeira vez existe a possibilidade concreta de alternância. A tendência é que essa campanha seja cada vez mais agressiva”, analisa. De acordo com pesquisa DataTempo, divulgada no início do mês, o adversário dos tucanos Fernando Pimentel lidera em todos os cenários. O ex-ministro petista tem 30,6% das intenções de voto contra 19,4% de seu opositor, o também ex-ministro Pimenta da Veiga (PSDB). Neste cenário, o que chama a atenção é o alto índice de indecisos e de eleitores que declararam anular ou votar branco: 41,8%, pouco menos do que a soma das intenções do petista e do tucano. Para o professor Moisés Augusto, uma campanha de ataque pode ter efeito contrário sobretudo nos que ainda não sabem em quem vão votar. “Para essa parcela do eleitorado, a campanha agressiva pode afastá-la e não aproximá-la. E esse índice pode, inclusive, aumentar se a campanha baixar o nível”, avalia. E são justamente os indecisos o público-alvo que o PSDB diz querer conquistar. Para o presidente estadual do partido, deputado federal Marcus Pestana, o eleitorado está esperando o momento certo para “conhecer o candidato associado a esses 12 anos de avanço”, diz, referindo-se ao tempo em que o PSDB governa o Estado. Ainda conforme Pestana, para atingir o objetivo é necessário construir a imagem do pré-candidato do PSDB ao governo de Minas, Pimenta da Veiga, que esteve afastado da política mineira nos últimos 12 anos. Sobre a estratégia tucana de fazer campanha em Minas, ele nega a mudança. “Não houve ataque, houve informação’, afirma.

Aliança Apoio. A coligação Todos Por Minas, encabeçada pelo PSDB de Pimenta da Veiga tem, até hoje, o apoio de outros 18 partidos. E pode chegar a 20 se PSB e PHS decidirem apoiar.

Pimentel buscou intimidade As inserções do PT, que não podem mais ser veiculadas, buscaram mostrar que o candidato petista ao Palácio Tiradentes, Fernando Pimentel, está “ouvindo os mineiros.” Os programas mostraram Pimentel viajando, conversando com pessoas nas ruas e até tomando café. O produto dos vídeos eram as caravanas organizadas pelo partido para ouvir as demandas dos mineiros. As palavras usadas pelo candidato remetiam à proximidade com eleitores, como “prosa” e “olho no olho”.

Disputa

2002. Eleição de Aécio Aécio Neves (PSDB) - 57,7% (5,2 milhões de votos)  Nilmário Miranda (PT) - 30,7% (2,8 milhões de votos) 2006. Reeleição de Aécio Aécio Neves (PSDB) - 77% (7,5 milhões de votos)  Nilmário Miranda (PT) - 22% (2,1 milhões de votos) 2010. Eleição de Anastasia Antonio Anastasia (PSDB) - 62,7% (6,2 milhões de votos Hélio Costa (PMDB) -34,2% (3,4 milhões de votos)

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