Crédito enfraquece o varejo

Para analistas, não há esperança de reação em maio, quando o cenário pode ter sido o mesmo

iG Minas Gerais |

Comida cara. Inflação dos alimentos pesa no setor supermercadista, que vendeu 1,4% menos em abril, após cair em fevereiro e março
DENILTON DIAS / O TEMPO
Comida cara. Inflação dos alimentos pesa no setor supermercadista, que vendeu 1,4% menos em abril, após cair em fevereiro e março

Rio de janeiro. As vendas do comércio varejista caíram 0,4% em abril ante março, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com abril do ano passado, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 6,7% em abril deste ano. Até abril, as vendas do varejo restrito acumulam alta de 5% no ano e de 4,9% nos últimos 12 meses. O comércio teve o pior mês de abril desde 2003, quanto as vendas também caíram 0,4%.  

No varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas subiram 0,6% em abril ante março, na série com ajuste sazonal. Na comparação com abril do ano passado, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado ficaram estáveis. Até abril, as vendas do comércio varejista ampliado acumulam alta de 1,6% no ano e de 2,5% nos últimos 12 meses.

A desaceleração no ritmo de concessões de crédito e a redução de incentivos fiscais explicam o resultado mais fraco do varejo este ano, segundo Nilo Lopes, técnico da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

O resultado abaixo do esperado em abril também tem entre os fatores principais a inflação ainda elevada que marcou período e um desempenho menos favorável da massa salarial no país. A avaliação é do economista Pedro Ramos, do banco Sicredi, que não demonstrou esperança de que haja alguma reação do setor em maio, quando o cenário não deve ser tão diferente.

“Não resta dúvida. Se a gente analisar a política de crédito e a política de incentivo a setores, em relação ao ano passado, neste ano a gente está numa situação um pouco mais desfavorável. O crédito está seguindo uma tendência bem menor que a do ano passado. Os incentivos que foram dados a veículos foram retirados, os que foram dados a outros setores diminuíram um pouco, as alíquotas que eram menores subiram um pouco”, lembrou Lopes.

Segundo o técnico do IBGE, o mercado está habituado a ver o comércio com uma taxa de crescimento anualizada em torno de 10%, mas agora o setor cresce a 5%. “A indústria não ia tão bem, mas o comércio crescendo a 10% dava para compensar um pouco isso. Só que agora o comércio caiu, está com taxa de crescimento pela metade, e a indústria ainda não está com fôlego suficiente. Então estão dizendo que nem o comércio salva, mas na verdade o comércio não está tão ruim assim”, afirmou.

A retração de vendas comércio reforça, na avaliação dos economistas do Bradesco, a expectativa de desaceleração gradual do consumo ao longo de 2014. A queda foi generalizada entre os segmentos pesquisados.

Em baixa

As vendas nos supermercados recuaram 1,4% em abril ante março, a terceira queda consecutiva. A inflação de alimentos pode estar prejudicando o setor. As vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo já tinham recuado 1,1% em março, após a queda de 0,2% em fevereiro.

Em alta

As vendas de veículos e motos, partes e peças cresceram 5,4% em abril ante março. O resultado salvou o volume vendido pelo varejo ampliado no período, que teve expansão de 0,6%. “Esse crescimento pode ser atribuído à retomada da demanda por crédito para aquisição de veículos”, justificou Nilo Lopes, técnico do IBGE.

Namorados pagam mais O preço dos principais produtos e serviços procurados no Dia dos Namorados, comemorado nessa quinta, subiu acima da inflação média nos 12 meses entre junho de 2013 e maio de 2014, mostra levantamento do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas. No período, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve alta de 6,57%, enquanto a média desses preços subiu 7,13%. Entre as principais altas estão show, teatro e cinema, hotéis e motéis.

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