Tigre adormecido, dragão escondido

Mostra “Estéticas do Jogo” apresenta amanhã “Touro Indomável”, auge da parceria entre Scorsese e De Niro

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

O filme é marcado pelos confrontes entre La Motta e Sugar Ray Robinson
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O filme é marcado pelos confrontes entre La Motta e Sugar Ray Robinson

Considerado por muitos a grande obra-prima da carreira de Martin Scorsese, “Touro Indomável” – exibido amanhã. às 18h, na mostra “Estéticas do Jogo”, no cine Humberto Mauro – não tem esse título por acaso. Porque mais do que um filme sobre boxe, ele é a história de um homem que se vê como um animal e, portanto, indigno de ser amado. E o único lugar em que ele pode, ao mesmo tempo, ser isso e se punir por isso é o ringue.

O resultado é uma espiral de violência autodestrutiva que se reflete numa escalada rumo ao título, no esporte, e no mergulho em um ciúme doentio, na sua vida pessoal. E a fotografia em preto e branco, utilizada por Scorsese para atenuar a sanguinolência do longa, acaba conferindo um realismo melancólico à tragédia grega da vida do boxeador Jake La Motta.

Deprimido e recém-saído de uma overdose de cocaína, o cineasta nova-iorquino se recusou a dirigir o longa a princípio, já que não se imaginava fazendo um filme sobre boxe. Ele acabou convencido pelo amigo Robert De Niro e os paralelos da trajetória de La Motta com o próprio momento da vida de Scorsese acabaram dando ao filme a pungência dramática inesperada em uma obra do gênero.

De Niro, por sinal, escreveu seu nome na história do cinema como o protagonista. Primeira de uma série de performances que ficariam famosas pela transformação física, sua atuação vai muito além disso. Ela é uma das melhores já vistas na tela grande pela entrega e o sacrifício físico do ator, em detrimento da própria saúde espiritual, que refletem a história de Jake La Motta.

Do plano inicial, que mostra La Motta atrás das cordas como um touro prestes a atacar, à câmera que pela primeira vez pisa no ringue durante as lutas, “Touro Indomável” é ainda uma realização técnica que beira a perfeição. O filme venceu os Oscar de montagem e ator, para De Niro, e Scorsese perdeu o de melhor direção para Robert Redford por “Gente como a Gente”, numa daquelas injustiças que só a Academia pode explicar. Não importa. A história se ocupou de apontar o verdadeiro vencedor.

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