E o Mundial começou

iG Minas Gerais |

O dia chegou. E teve Copa. E também houve protesto e confusão. Enfim, o país se mostrou ao mundo. De um lado, alegria e talento. Do outro, descontentamento e imperfeições. E todos puderam ver, de fato, de quantos brasis vive o Brasil. Puderam observar um povo heterogêneo que não é apenas futebol, mas que nutre uma paixão inexplicável por ele. Para quem achava que não iria ter Copa, aí está ela com tudo a que tem direito, doa a quem doer. Mal amanheceu, e o clima já era outro em Belo Horizonte. De repente, a cidade se enfeitou. Bandeiras pelas janelas e penduradas nos carros. Buzinaço. Gente vestida de verde-amarelo. Ansiedade crescia ao longo do dia. Era a vontade de se preparar para assistir à abertura do Mundial. A verdade é que a grande maioria queria, sim, ver a festa e, principalmente, acompanhar o jogo de abertura: a estreia do Brasil. A ansiedade também tomou conta dos manifestantes que não abandonaram suas causas. A concentração começou na praça Sete. Estiveram lá os que pedem moradia, os que esperam a melhoria do transporte público, os que buscam uma educação melhor ou simplesmente quem, por inúmeros motivos, repudia a realização da Copa neste país. Mas, infelizmente, os vândalos também estiveram por lá. Da praça Sete seguiram para a praça da Liberdade. Houve muita tensão. Bombas. Pouca gente, mas muita depredação. Invadiram o prédio do Detran, na avenida João Pinheiro. Destruíram um carro da polícia. Pelo menos três bancos foram apedrejados, assim como um cinema e prédios residenciais. Uma farmácia foi arrombada. Um repórter fotográfico ficou ferido com uma pedrada na cabeça. Para os policiais, aliás muitos, a ordem era reprimir. Mas não foi o que se viu, já que a quebradeira rolou solta. As ruas foram cercadas. As pessoas e as equipes de reportagem, revistadas. Não se sabe como vão terminar os novos atos de violência. Certo é que os primeiros protestos da Copa de 2014 não causaram o impacto dos ocorridos na Copa das Confederações, no ano passado. Não protestar também não significa menos cidadania. Como dizem os especialistas, as pessoas não estão mais apáticas. A diferença é que, desta vez, nem todas querem sair às ruas. Muitas são contra o vandalismo. Desejam torcer pela seleção brasileira. Afinal de contas, o futebol faz parte da nossa cultura. É difícil achar por aqui quem não admire uma belo drible ou não fique boquiaberto diante de um golaço. Li ontem uma fala no jornal que resume a situação de muitos brasileiros. A ponderação foi feita pela professora da Faculdade de Políticas Públicas da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) Núbia Braga. “O futebol faz parte do brasileiro. Eu acredito que muitos vão assistir aos jogos, participar do evento, mas não com a ilusão que um dia as Copas anteriores provocaram. Já estamos no estágio de entender que participar faz parte daqueles que gostam e faz parte do Brasil, no entanto sem perder de vista o momento crítico que estamos passando. A Copa não consegue mais ofuscar a realidade”. Núbia disse tudo. Se de um lado a Copa não ofusca, de outro ela ilumina. A cada jogada brilhante, a cada grito de gol. Enche os olhos de crianças que pela primeira vez vão acompanhar um Mundial. Leva ao êxtase idosos que, talvez, sintam ser essa a última Copa de suas vidas. Para a torcida, ainda vale – e vai valer por muito tempo – a velha expressão: soltar da garganta o grito de gol. E o dia 12 de junho de 2014 foi assim: pelas ruas, poucos manifestantes provocando muita tensão; no estádio ou em frente aos televisores, torcedores em festa aclamando o futebol. Queiram ou não, a Copa começou.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave