Fora do jogo, dentro do cinema

Mesmo com jogo de estreia do Brasil, algumas pessoas optaram por programas tradicionais

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

A agitação em torno do primeiro jogo da Copa do Mundo no Brasil e da manifestação na região central de Belo Horizonte não adentrou as paredes do Palácio das Artes. Lá dentro a tranquilidade prosseguia assim como a programação normal. Inclusive, exatamente no momento do jogo foi exibido o filme “Ardil 22”, no Cine Humberto Mauro, com direito a comentários após a sessão pelo jornalista Paulo Herinque Silva. E, mesmo que para alguns seja difícil de acreditar, houve público presente.

O operador de telemarketing Leonardo do Carmo Ferreira, de 23 anos, foi um dos dois espectadores que optou em não assistir ao jogo de estreia do time brasileiro. Ele preferiu aproveitar o dia de folga para ver um filme. “Não acompanho futebol direito e para mim não faz diferença perder esse jogo”, diz.

Os motivos que o afastaram do televisor, porém, não são fruto apenas de seu desinteresse pelo esporte. As consequências da realização do campeonato no Brasil o afastaram da torcida. "Acho que a Copa não foi bem organizada e as pessoas estão insatisfeitas com o governo. As manifestações comprovam isso", afirmou Ferreira.

Por coincidência, o contexto político atual do país dialoga, em alguns aspectos, com o filme exibido. De acordo com Silva, a obra cinematográfica dirigida por Mike Nichols ironiza e contesta fatos que aconteceram na Segunda Guerra Mundial. “É um filme super satírico em relação ao poder e, por isso, é até interessante olhá-lo sob o prisma das manifestações”, comenta.

Dividido entre duas paixões, Silva é além de fã, cronista de futebol e espera desde criança espera pela realização da Copa do Mundo no Brasil. “Sinto que estou em falta com algo”, afirma o jornalista ao responder sobre a sensação de não assistir ao jogo. “Mas o bom é que vivemos em mundo bombardeado de informações e até à noite já estarei por dentro de tudo”, completa.

Ao contrário de Silva, a estudante e bailarina do Centro de Formação Artística (Cefar), um dos equipamentos culturais da Fundação Clóvis Salgado (FCS),  Stefanny da Silva Kuster, de 13 anos, não estava preocupada com o jogo que acontecia enquanto posava para fotos em trajes típicos da dança no interior do Palácio das Artes.

A ideia de fazer um “book” fotográfico durante o jogo surgiu em uma conversa com sua mãe, a costureira Rosilene da Silva Kuster, 38. “Sabíamos que durante o jogo toda a cidade estaria mais tranquila e, por causa das manifestações, algumas ruas do centro estariam fechadas e resolvemos tirar proveito disso", disse Rosilene. Dessa forma, espaços públicos, como a avenida Afonso Pena, a Praça da Estação e a Praça do Papa, se tornaram cenário de registro das habilidades cênicas da filha. “Não estou preocupada em perder o jogo, apesar de torcer pela vitória do Brasil”, ressalta Rosilene. A aspirante a dançarina profissional, por sua vez, acredita que as a oportunidade vai contribuir para divulgação de seu trabalho, o qual começou aos seis anos de idade. "Eu até gosto e futebol, mas não vejo os jogos. Eu prefiro a dança e quero continuar dançando, por isso, não queria perder uma oportunidade como essa”, diz Stefanny.

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