Goleiro Bruno não poderá jogar em time de Montes Claros

Apesar de ter conseguido a transferência para uma penitenciária no Norte de Minas, a Justiça não aceitou o pedido para que ele pudesse jogar no Montes Claros Futebol Clube; o motivo é que a medida seria um privilégio a um condenado a pena de liberdade restrita em regime fechado

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

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REJANE ARAÚJO - 31.8.2006
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O goleiro Bruno Fernandes não deve jogar no Montes Claros Futebol Clube. Apesar de ter conseguido a transferência para Francisco Sá, no Norte de Minas, cidade localizada a cerca de 50 quilômetros de Montes Claros, o pedido para realizar trabalho externo na cidade - a oportunidade que ele teria para voltar a jogar - não foi aceito pelo juiz Wagner de Oliveira Cavalieri, da Vara de Execuções da comarca de Contagem. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (12) pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

A defesa do goleiro pediu autorização à Justiça para que Bruno trabalhasse externamente no Montes Claros Futebol Clube, deixando a penitenciária das 7h às 19h, de segunda a sexta-feira e também nos finais de semana em que ocorrerem jogos oficiais. O juiz, no entanto, considerou que não há condições para que isso aconteça, já que a sede do time sequer é na comarca de Contagem, cidade onde o goleiro está preso atualmente. “Isso, por si só, já afastaria a possibilidade de deslocamento diário do preso até seu local de trabalho”, afirmou Cavalieri.

Além disso, ainda segundo o magistrado, para o trabalho externo a lei prevê a necessidade da adoção de medidas de segurança para impedir fugas ou indisciplinas, o que geraria a necessidade de providenciar escoltas diárias para o acompanhamento do goleiro ao trabalho.

O juiz ainda lembrou que o Complexo Penitenciário Nelson Hungria, onde Bruno permanece detido, é uma unidade de segurança máxima em que não há execução sistemática de trabalho externo. No local, cumprem pena condenados a penas privativas de liberdade do regime fechado, além de presos cujas circunstâncias exijam cautelas excepcionais. O goleiro foi condenado em março do ano passado a 22 anos e três meses de prisão em regime fechado pela morte de Eliza Samudio.

Privilégio

Ainda de acordo com o magistrado, conceder a Bruno a oportunidade de trabalhar fora da prisão seria uma medida isolada e de privilégio, o que seria um desfavor aos outros presos. “A admissão de trabalho externo em uma unidade de segurança máxima também vai contra os protocolos de segurança da penitenciária”, afirmou.

Mesmo assim, por causa dos últimos 12 meses em que o goleiro apresentou bom comportamento no presídio, ele teve como benefício a oportunidade de trabalhar internamente.

Transferência

A transferência do goleiro Bruno para a Penitenciária Francisco Sá, no Norte de Minas, deve acontecer nos próximos 20 dias durante a Copa do Mundo. O decreto foi publicado na Imprensa Oficial do Governo do Estado de Minas Gerais na última terça-feira (10). 

Com informações do TJMG. 

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