UBS vira ‘unidade básica de sofrimento’ para a população

Bancos sem assentos, mau cheiro, consultórios sem ventilação, divisórias de madeirite cheias de cupim e aparelhos enferrujados formam cenário de abandono

iG Minas Gerais | Dayse Resende |


Desperdício. 

Único bebedouro usado pelos pacientes está com defeito
FOTO: MOISES SILVA / OTEMPO
Desperdício. Único bebedouro usado pelos pacientes está com defeito

 

Há mais de uma década funcionando em um imóvel improvisado, a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Teresópolis, única responsável pela demanda de toda a região, está em completo estado de abandono. Na última terça-feira (10), a reportagem esteve no local e flagrou um cenário caótico.    Logo na recepção, foi possível ver bancos sem assentos ou rasgados, além de paredes pichadas, bebedouros estragados e banheiros entupidos e sem janelas, além de móveis que mais parecem sucatas.    Nos consultórios, em especial o ginecológico e o pediátrico, a situação é pior. Devido à falta de ventilação, há forte mau cheiro. Além disso, as divisórias dos cômodos, muitas feitas de madeirite, estão infestadas de cupins. A fiação elétrica, que também funciona com improviso, representa riscos a usuários e pacientes. Já as macas e os aparelhos de aferir pressão estão enferrujados. Na sala de arquivo, os prontuários ficam guardados em caixas mofadas, e não há nenhum computador para atender aos profissionais e à comunidade.    “Aqui a gente conta é com a sorte. Só conseguimos localizar um prontuário se o paciente tiver o número do seu cartão. Caso contrário, não tem como prestarmos o atendimento”, disse uma servidora, que pediu para não ser identificada.   A situação fica ainda pior devido à falta de segurança. Somente neste ano, cinco funcionários do posto pediram para sair. “Uma enfermeira e uma recepcionista foram agredidas por um paciente. Eles não conseguem atendimento porque há déficit de efetivo e, como não entendem que o problema não é nosso, mas do município, partem para a agressão. Isso nos deixa desmotivados e com medo de trabalhar. Estamos à mercê da violência. A unidade não tem vigia nem guarda patrimonial. Aqui, entra quem quer”, disse outra servidora.   Segundo a funcionária, para o problema ser sanado, seria necessário que a unidade contasse, pelo menos, com dez equipes do programa Estratégia de Saúde da Família (ESF), compostas minimamente por um médico generalista, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e quatro agentes comunitários de saúde (ACSs). “Hoje, não temos nenhuma equipe completa. A UBS ainda funciona nos moldes do defasado Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Estamos ‘engessados’. Faltam clínicos, pediatras, agentes comunitários e enfermeiros”, disse.   Moradora do bairro, Valdete da Silva Dutra, que espera há cinco meses uma consulta com um oftalmologista, pede providências. “A população clama por socorro. Lamentavelmente, hoje o Jardim Teresópolis enfrenta uma total falta de atenção por parte dos políticos”, lamenta.

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