Em protesto, servidores de posto de saúde fecham via

Em sinal de luto contra as más condições de trabalho e a falta de segurança na UBS da região, funcionários vestiram roupa preta durante ato ocorrido na terça-feira (10)

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Prejuízo. 
Muitos usuários que foram à UBS na terça-feira (10) voltaram para casa sem atendimento
Moisés Silva
Prejuízo. Muitos usuários que foram à UBS na terça-feira (10) voltaram para casa sem atendimento

 

Vestidos de preto, servidores da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Teresópolis paralisaram as atividades em protesto ocorrido na terça (10). Cerca de cem funcionários do posto de saúde saíram da rua Augusto Severo, no início da manhã, e percorreram as principais ruas da região em um ato por melhores condições de trabalho e segurança.    No cruzamento da avenida Belo Horizonte com a Duque de Caxias, no coração do Teresópolis, os ativistas deram um abraço simbólico nos moradores da região pedindo que eles reivindiquem seus direitos na Ouvidoria do Município. Por causa da manifestação, o trânsito na região ficou complicado.    Além disso, muitos usuários que foram à unidade, como a dona de casa Alverina Marina Ferreira, 73, tiveram que voltar para casa sem atendimento, já que foi mantida apenas a escala mínima para o funcionamento da unidade. “Não sabia do protesto. Vim buscar medicamentos para o controle da pressão arterial, mas a farmácia está fechada”, disse a dona de casa, que, apesar de ter perdido a viagem, concordou com o ato.   “Acho que eles estão certos em protestar. Esse é o único posto de saúde da região, e nem sempre conseguimos ser atendidos aqui. Sempre faltam médicos, enfermeiros ou medicamentos. É uma situação lamentável”, destacou a dona de casa.   Segurando cartazes e faixas, os servidores seguiram para a Unidade de Atendimento Imediato (UAI) do Teresópolis, onde, no fim de abril, também houve um protesto de usuários contra o longo tempo de espera e a falta de médicos.   Já no início da tarde, os servidores da UBS foram à reunião da Câmara Municipal, viraram as costas para o plenário e entregaram uma pauta de reivindicação para o vereador Vinícius Resende (SDD). “Queremos que as autoridades de Betim tomem providências. O posto de saúde do Teresópolis está há 13 anos funcionando em uma unidade improvisada, que já foi sede de uma escola. A situação está insustentável. Não tem como atendermos os 43 mil usuários cadastrados nessa UBS, sem a mínima estrutura e com equipes incompletas. O ideal seria que ela fosse desmembrada em outras duas UBSs, sendo uma na Vila Bemge e outra na Vila Recreio”, disse uma servidora, que pediu para não ser identificada.   Outra funcionária disse que, caso o Executivo não apresente propostas de melhores condições de trabalho e de segurança nas próximas semanas, uma nova paralisação deverá ser agendada. “Não queríamos ter chegado a esse ponto, mas, infelizmente, foi a única maneira que encontramos para chamar a atenção das autoridades para os problemas. Já fizemos abaixo-assinado, reuniões com representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e a situação não muda”, justificou. Ela também se disse frustrada com a falta de ação do Executivo. “A prefeitura já conhece os problemas existentes aqui, mas finge não ver. Estamos decepcionados com o Carlaile. Tínhamos uma esperança muito grande nele, que fez um ótimo mandato na última vez em que foi prefeito de Betim. No entanto, desta vez, estamos sem perspectivas. A situação da UBS tem piorado muito”, lamentou.   Audiência O vereador Resende informou que irá avaliar a pauta de reivindicações dos servidores e que deverá propor uma audiência pública sobre o assunto. “Não podemos aceitar que a saúde pública seja tratada com descaso. É uma irresponsabilidade. Não é só o povo que sofre com todo esse caos, os funcionários também são afetados. É impossível oferecer um atendimento de qualidade quando não se tem nem mesmo a estrutura básica necessária”, justificou.   Já o vereador Eliseu Xavier (PTB), líder do Executivo na Câmara, disse que, das 29 novas UBSs que Betim deverá ganhar nos próximos anos, uma será no Teresópolis, para substituir a já existente. “Essa unidade é uma prioridade do governo e já está em processo licitatório”, concluiu.

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