Bruno Rodrigo comemora saída do anonimato e projeta mais títulos

De desconhecido a eleito como melhor zagueiro do elenco por boa parte da torcida, jogador comemora bom momento e faz planos para os três próximos anos no Cruzeiro

iG Minas Gerais | BRUNO TRINDADE |

Bruno Rodrigo foi o autor do único gol do Cruzeiro no empate com a Portuguesa
Washington Alves/VIPCOMM
Bruno Rodrigo foi o autor do único gol do Cruzeiro no empate com a Portuguesa

Após um ano e meio de Cruzeiro, o zagueiro Bruno Rodrigo passou de desconhecido para um dos principais jogadores da equipe celeste. Além de se mostrar eficiente na marcação e nos desarmes, o defensor, na atual temporada, tem se destacado pelos gols - são seis em 2014 -, alguns deles decisivos. Com mais três anos de contrato com a Raposa, o camisa 4 não quer ficar apenas com os títulos do Brasileirão de 2013 e do Mineiro de 2014. O jogador espera continuar comemorando conquistas, quer vencer a Libertadores da América e seguir gravando o seu nome na história do Cruzeiro.

Em entrevista exclusiva ao Super FC, Bruno Rodrigo, que se recupera de uma cirurgia no pé esquerdo, fez um balanço de sua passagem pelo Cruzeiro, falou sobre gols, sobre a equipe, Libertadores, saída de jogadores e sobre a sequência estrelada na temporada.

Qual o balanço que você faz desses um ano e seis meses de Cruzeiro? Acho que foi bem proveitoso, conquistamos o título do Brasileiro no ano passado, brigamos para conquistar todos os campeonatos que disputamos, com chances reais de buscar o título. Infelizmente, em alguns campeonatos, nunca acontece da forma como a gente quer e, em algumas disputas, não conseguimos chegar até as finais. Mas estamos fazendo um bom trabalho. Neste ano, estamos em primeiro no Brasileiro e esperamos continuar assim até o final. Estamos em um time grande, que sempre tem que buscar ganhar tudo que disputa. Vamos fazer de tudo para que possamos buscar mais títulos neste ano.

Qual a avaliação que você faz da defesa do Cruzeiro em 2014? É uma defesa forte. Tem bons jogadores, de boa velocidade e com bom tempo de bola. Tem o Dedé, nível de seleção brasileira, o Léo, que é um excelente jogador, o Wallace, que foi convocado para a seleção de base e que é um excelente jogador também e tem o Alex, que subiu agora e é um bom jogador (entrevista foi feita antes do acerto com o zagueiro Manoel). Todos se respeitam muito, o que é importante. Nos últimos jogos, tomamos alguns golzinhos meio bobos. Acredito que, com a parada da Copa, teremos tempo de descanso, vai dar pra gente voltar a treinar mais, focar nos aspectos que a gente vem errando para que possamos estar ainda mais fortes no segundo semestre.

Você chegou como desconhecido no futebol mineiro e conquistou o reconhecimento dos torcedores dentro de campo. Como foi esse processo? Não me conheciam muito. Joguei na Portuguesa por seis anos, depois fui para o Santos, onde fiquei mais três anos e era reserva. Jogava um jogo ou outro. Mas eu sempre acreditei no meu trabalho. Sempre procuro dar o meu máximo nos treinamentos, independentemente da situação. Graças a Deus, tive essa oportunidade de vir para o Cruzeiro e de jogar. Sempre que entrei, procurei dar o meu melhor para ajudar a equipe. É importante que todos se doem ao máximo, com um companheiro sempre buscando ajudar o outro, para que a gente possa, cada vez mais, buscar as vitórias e conquistar os títulos. O Cruzeiro é um time grande, precisa de conquistas, tem uma torcida maravilhosa, que sempre nos apoia muito. Sei que preciso melhorar em muitas coisas, mas espero estar sempre evoluindo como jogador.

O Cruzeiro tem jogadores experientes, campeões, mas não conseguiu ir longe na Libertadores. O que faltou? A Libertadores é um tipo de disputa totalmente diferente, é um mata-mata. Às vezes, fora de casa, é melhor você perder por 2 a 1 do que perder por 1 a 0, porque tem a vantagem do gol marcado fora. Faltaram alguns detalhes, mas valeu pelo aprendizado. Vamos tirar lições, tanto negativas quanto positivas desse torneio. Agora, temos que fazer um excelente restante de ano, ir bem na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro para que a gente possa ter a oportunidade de voltar nessa competição. Estaremos bem fortalecidos para buscar o título.

Além de se destacar na defesa, você se tornou um “zagueiro-artilheiro”. Isso é uma novidade na sua carreira? Sempre fiz alguns gols de cabeça, desde a época da Portuguesa. Mas neste começo de ano, sem dúvida, foi um dos melhores da minha carreira. Foram gols em jogos decisivos, o que os torna ainda mais importantes. Mas a minha prioridade, como zagueiro, é defender e não deixar a equipe tomar gols. Eu não gosto de tomar gols, assim como acredito que todo zagueiro e goleiro também não gostam. Procuro tentar fazer de tudo para que a gente saia dos jogos sem levar gols e para que tenhamos uma das melhores defesas. Infelizmente, tomamos alguns gols nos últimos jogos. A minha prioridade é defender. Porém, é claro que, quando tiver a oportunidade, vou lá na frente tentar mais gols e para atrapalhar os zagueiros adversários, porque defender é difícil. Quando temos a oportunidade de atacar, temos que dar trabalho para os adversários também.

Além da impulsão, da altura e do posicionamento na área adversária, os treinamentos e a qualidade dos batedores influencia muito em uma das principais armas do Cruzeiro, que é a bola aérea? A batida na bola é importante demais. E nós temos excelentes batedores. Às vezes também, um puxa a marcação para o outro ficar livre, ou atrapalha o adversário. O importante é um ajudar o outro, independentemente de quem faça os gols. As bolas acabaram vindo pra mim e tive a felicidade de marcar. Mas temos o Dedé, que é um excelente cabeceador e tem um ótimo tempo de bola, o Nilton também faz muitos gols de cabeça, o Ricardo Goulart é excelente nessa bola aérea, o Júlio Baptista é um cara muito forte. Acho que a nossa equipe tem jogadores com essa característica de bola aérea. Espero continuar fazendo um bom trabalho lá atrás e se tiver a oportunidade lá na frente, espero continuar fazendo gols.

Qual é a importância dessa intertemporada para a equipe do Cruzeiro? Acho que é importante porque o semestre foi bem corrido, com jogos quarta-feira e no fim de semana, com competições importantes e com muita pressão. Teve um momento na Libertadores que a gente não podia nem empatar para se classificar. Querendo ou não, isso desgasta muito. Acredito que essa parada vai ser boa pra gente ter uma folga e descansar. Depois, teremos mais um período pra poder treinar, colocar o físico em ordem para que possamos aguentar bem os próximos seis meses, que serão muito difíceis porque estamos em um ano atípico, de Copa do Mundo. Depois da Copa, o calendário será apertado, com jogos quarta e no fim de semana. Por isso, temos que estar fortes, bem preparados para aguentar essa bateria de jogos no restante da temporada.

O que a torcida pode esperar do time na volta do Campeonato Brasileiro? Podem esperar um time ainda mais forte, que vai continuar lutando, buscando os títulos para dar alegrias à torcida e colocar ainda mais conquistas na história do Cruzeiro. O Cruzeiro é grande e de muita tradição. Todos os campeonatos que disputar, tem que estar sempre brigando pelas primeiras posições e pelos títulos.

O Cruzeiro já provou que é um time de regularidade. Como fazer para não oscilar em campo e para manter isso no restante da temporada? É fazer o que a gente vem fazendo, encarando cada jogo como se fosse uma decisão. Foi assim no Brasileiro do ano passado. Espero que, neste ano, possamos continuar da mesma forma, imprimindo um ritmo muito forte quando jogamos em casa, com o apoio do nosso torcedor. E quando jogarmos fora, precisamos atuar com inteligência para que possamos buscar alguns pontos que serão importantes.

Até quando vai o seu contrato com o Cruzeiro? Vai até o fim de 2016. Tenho mais três anos de contrato. Espero ajudar o Cruzeiro a conquistar cada vez mais títulos.

A qualidade que o elenco do Cruzeiro tem, atrai o interesse de outros clubes. Existe o receio de a equipe perder jogadores importantes nessa janela do meio do ano? Acho que é natural, isso mostra o reconhecimento do trabalho de todos, mostra que o Cruzeiro tem peças importantes e jogadores muito bons em todas as posições. O Cruzeiro montou um elenco muito forte, um dos melhores. Independentemente de quem joga, continua sendo forte. Tenho certeza de que o jogador que entrar vai dar o seu melhor para poder ajudar a equipe. É assim que vamos continuar o trabalho.

Depois das suas atuações, alguns cruzeirenses afirmam que você o melhor zagueiro que o clube tem. Como você recebe esses elogios? Eu agradeço os elogios, mas ainda tenho muito o que crescer, muito o que melhorar. Acho que o principal é você ter sempre os pés no chão, procurar fazer o seu melhor, independentemente da situação. Fazendo o melhor para os companheiros e um ajudando o outro, todos aparecem. O Cruzeiro tem um conjunto muito forte, não tem só um jogador que decide. Tem vezes que o Everton Ribeiro decide, tem vezes que é o Dagoberto, o Ricardo Goulart. Acho que isso é o nosso forte e espero que possamos manter isso.

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