Bem-vindo ao Brasil!

iG Minas Gerais |

Ilustração Hélvio Avelar
undefined

O brasileiro leva a fama de fazer tudo na última hora. Nós sempre fomos assim, e por que só agora haveríamos de não ser? Se é pra pagar uma conta, esperamos até o vencimento. Se é pra comprar um presente de aniversário, deixamos pra fazer isso na véspera. Se é pra estudar ou fazer um trabalho de escola, o foco só aparece beirando a data final. E se é pra esquecer de toda aquela revolta e deixar o tal nacionalismo verde-amarelo aparecer, que seja nos 45 do segundo tempo, quando a Copa do Mundo no Brasil já até começou e a seleção canarinho iniciou seu caminho ao hexa.

Há umas três semanas, escrevi neste espaço justamente sobre como nós estávamos arredios com a chegada do Mundial ao país, sendo que sempre esperávamos por isso. O dia 12 de junho chegou e, se você reparar bem, foi em cima da data de abertura do maior campeonato de futebol deste planeta que a ficha do brasileiro caiu – e digo isso por conta própria. Olhe à sua volta e você vai reparar que as bandeirolas nas ruas se multiplicaram, que a torcida e os bares se entrosaram, que as postagens no Face se apaziguaram, que até os álbuns de figurinhas se completaram... Eu sempre fui do time daquela ideia mesmo: antes tarde do que nunca. Tarda, mas não falha. Quem ri por último ri muito melhor.

E ri mesmo! Repito o que disse no início deste texto: o brasileiro sempre foi assim, por que mudaríamos agora? Somos famosos no mundo inteiro por sermos hospitaleiros, simpáticos, felizes. Somos a terra do samba, da alegria, do coração. Temos a força da fé, da paz, da união. No futuro, não quero lembrar que olhei para um gringo no meu país e falei: “Bem-vindo ao Brasil, não repare a bagunça, não”. Quero mais é vestir a camisa da seleção e dizer: “Bem-vindo ao Brasil, esta é a minha nação. Acredite ou não, é assim que vivo, é assim que ganho meu pão!”.

Não importa se você está infeliz com seus governantes, triste com a construção de elefantes que mais parecem estádios, agoniado se vai prestar tudo isso com manifestaçãozinha ali e trânsito caótico aqui. O importante a se frisar é que a Copa chegou e eu não sou bobo de ficar pelos cantos sofrendo, chorando, me revoltando. É hora de festejar. E não pense que estou sendo hipócrita em querer cantar, gritar, comemorar. Numa semana faz o emblemático, na outra aparece aristocrático. A verdade é que, neste momento, não adianta ser pessimista, não adianta fazer a linha idealista. Agora é matada no peito, dominada de jeito, e golaço com pé direito.

Nós sempre torcemos assim, por que é que justamente agora não iríamos clamar pelo título de campeão? Deixa de bobeira, de bobagem, porque o que pode acontecer é só a sacanagem de não levarmos o título. E olha que eu não estou falando do título de trouxa. Esse eu não resolvo em junho, um mês de festa verde-amarela em que eu e meu país somos anfitriões da alegria em forma de futebol. Deixo essa história para outubro, pra sair da lanterna e só então posar de artilheiro. É o melhor que eu faço, na luta constante para afastar o estado febril. Bem-vindo ao Brasil!

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave