Já temos Copa

iG Minas Gerais |

Estreei em uma Copa do Mundo em 1966, aos 19 anos, com uma grande responsabilidade, a de substituir Pelé, contra a Hungria. Fiquei tenso e não dormi bem, como aconteceu em toda minha carreira, na véspera das importantes partidas. Isso me ajudava a atuar melhor. No vestiário, minutos antes de entrar em campo, o excepcional Djalma Santos sentou-se ao meu lado, colocou a mão em meu ombro e disse: “Vai garoto, jogue seu futebol”. A Croácia, como fez a Sérvia, vai formar duas linhas de quatro jogadores, bem próximas, tentar bloquear os avanços de Marcelo e de Daniel Alves, para tentar ganhar o jogo no contra-ataque. O Brasil precisa de um artilheiro, como Fred, mas ele deveria se desgrudar dos zagueiros. Isso não significa voltar até o meio-campo nem ir para as laterais. Basta se movimentar pela intermediária e trocar passes com os companheiros. As análises sobre Fred não podem passar da depressão, como no jogo contra o Panamá, para a euforia, após marcar um belo gol contra a Sérvia. Fred deveria jogar bem, mesmo quando não fizer gols. Se em todos os campeonatos com jogos mata-mata do mundo não é raro ocorrer zebras, como na conquista da Eurocopa pela Grécia, em 2004, vencendo Portugal na final, sob o comando de Felipão, em Lisboa, porque nunca uma seleção mediana foi campeã do mundo? Seria porque as grandes seleções atuam com muita seriedade? Forças ocultas não deixariam? Um dia, isso vai acontecer. Pena que muitos craques não estão na Copa, e outros não estão nas melhores condições. As equipes, em todo o mundo, jogam demais, e o intervalo entre o fim dos campeonatos nacionais e o início do Mundial é muito curto para a recuperação dos atletas. É lamentável que um evento tão grandioso, um negócio de bilhões, que para um país, as estrelas do espetáculo não tenham as condições ideais para mostrar todo o seu talento.

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