Ânimo parece maior no exterior

Brasileiros que moram fora vibram com a Copa e torcem para torneio ser bem-sucedido

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Em grupo. Guilherme mora na Argentina e se diz animado para ver os jogos com os amigos. “Todos aqui me perguntam
como o Brasil cresceu tanto. Eles olham para nós como um país rico e forte”, diz
Reprodução Facebook
Em grupo. Guilherme mora na Argentina e se diz animado para ver os jogos com os amigos. “Todos aqui me perguntam como o Brasil cresceu tanto. Eles olham para nós como um país rico e forte”, diz

Apesar da aparente apatia dos brasileiros com a Copa, quem mora no exterior parece mais empolgado. Mesmo de longe, a gerente de uma loja de lingerie em Miami, Juliana Rosado, 42, está vibrando. Natural de Belo Horizonte, ela mora nos Estados Unidos há 14 anos. “No começo pensei que não queria estar aí para a Copa, mas quando vejo as propagandas e as ruas arrumadas sinto muita vontade de ir. Muitas pessoas da Argentina e do México que moram aqui também estão animadas, e todos os bares vão mostrar os jogos. O primeiro jogo eu vou assistir com certeza. Até tirei o dia de folga”, conta.  

Juliana diz que clientes brasileiras dizem estar “fugindo” do país durante o evento por causa do medo das manifestações, mas ela encoraja as outras clientes que estarão no Brasil a aproveitar o evento. “Eu espero que o brasileiro mostre sua verdadeira cara, que recebam as pessoas com o carinho e a alegria que somos tão conhecidos. Eu acho que participaria dos protestos de forma diferente: nas urnas”, afirma.

Natural do Rio Branco, no Acre, e morando na Argentina há um mês, o estudante Guilherme Henrique Rangel, 19, está reunindo um grupo de brasileiros para assistirem juntos aos jogos da seleção. “Aqui tive contato com pessoas de vários países e todos, sem exceção, me perguntaram como o Brasil cresceu tanto em pouco tempo. Eles olham para nós como um país muito rico e forte, mas também fazem muitas generalizações, como se todos soubessem sambar e jogar bola como o Neymar”, relata.

Provocações. Desconfortável por não estar “em casa” durante o Mundial e ter que aguentar as provocações dos “hermanos”, ele diz não temer os protestos que podem vir a acontecer no Brasil. “Na verdade eu torço para que as manifestações aconteçam. Todos precisam saber qual é a verdadeira realidade do Brasil, pois se fôssemos esse país que eles imaginam que somos, eu não precisaria estar aqui”, justifica.

TV chilena denigre imagem do país, diz advogada Natural de Santiago, no Chile, mas filha de brasileira, a bacharel em direito Paola Rivera, 36, está decepcionada com a forma como os chilenos retratam o Brasil. “Estão mostrando um Brasil onde a mulher brasileira é fácil e estão fazendo campanha para que os chilenos se protejam contra a Aids. A televisão chilena está mostrando só o pior do Brasil. Eles não são capazes de mostrar as paisagens, as pessoas e a cultura como realmente são”, contou. Porém, foi a falta de segurança que fez a brasileira desistir de vir ao país durante o Mundial. “Desde que soube que o Brasil seria sede da Copa pensei que gostaria de ir ao país, mas aqui chega tanta informação ruim sobre as manifestações que fiquei com medo. Aqui me sinto mais segura”, disse Paola.

Brasil é bem visto em outros países Pesquisa divulgada nessa quarta pelo instituto norte-americano Pew Research Center mostra que o Brasil tem imagem positiva em 24 dos 37 países pesquisados. Entre os pesquisados, o Chile é onde o Brasil tem a melhor imagem (74% dos entrevistados dizem ter visão favorável do país). A Jordânia é o de visão mais desfavorável (70%). Na América Latina, a visão favorável prevalece. Na Argentina, 59% dizem ter visão positiva, contra apenas 19% negativa. O Brasil caiu 17 pontos entre os mexicanos (hoje 41% dos mexicanos dizem ter visão favorável, contra 58% em 2002). Nos Estados Unidos, 51% têm visão favorável, contra 26% desfavorável.

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