Força das manifestações na Copa será testada nesta quinta no país

Mais esvaziados do que em 2013, protestos de 2014 terão hoje, nas ruas, um termômetro

iG Minas Gerais | Bruna Carmona |

Mudança. Ao contrário de 2013, espera-se que os atos deste ano sejam menores e mais focados, mas sua relevância não diminui por causa disso
JOãO GODINHO / O TEMPO - 19.6.2013
Mudança. Ao contrário de 2013, espera-se que os atos deste ano sejam menores e mais focados, mas sua relevância não diminui por causa disso

A pergunta que boa parte dos brasileiros se faz hoje é se as manifestações vão ofuscar o brilho da Copa do Mundo que começa no Brasil. Em 2014, até nessa quarta, pouco se viu da força demonstrada nas ruas em 2013. O que se vê até agora são movimentos específicos e mais esvaziados.

A calmaria nada tem a ver, porém, com apatia, na análise da professora da Faculdade de Políticas Públicas da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) Núbia Braga. “Não vejo um enfraquecimento dos movimentos sociais. Neste ano, já presenciamos manifestações de professores, de policiais, a Marcha das Mulheres e tantos outros que estão brotando. As ruas falam”, diz. Para ela, a ampliação da cidadania veio para ficar nas mais diferentes frentes e categorias profissionais que buscam reivindicar um país melhor. “Acredito que isso vai perpassar e permanecer, ora mais forte, ora menos”. A historiadora acredita a que os brasileiros vão aproveitar a Copa. “O futebol faz parte da cultura brasileira, faz parte do brasileiro. Eu acredito que muitos vão assistir aos jogos, vão participar do evento, mas não com a ilusão que um dia as Copas anteriores provocaram. Já estamos no estágio de entender que participar faz parte daqueles que gostam e faz parte do Brasil, no entanto sem perder de vista o momento crítico que estamos passando. A Copa não consegue mais ofuscar a realidade”, diz. O sociólogo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Jorge Alexandre Neves diz que em 2013 os protestos eram muito heterogêneos, sem uma base muito clara e com grupos muito diferentes juntos. “Essa heterogeneidade dificultou a replicação do movimento neste ano. Agora, as manifestações são completamente diferentes e estão ligadas a pautas específicas e grupos tradicionais, como sindicatos e estudantes do Passe Livre, ou seja, muito mais homogêneas. Além disso, as classes média e alta e os mais conservadores que foram para as ruas em 2013 se chocaram com os black blocks e sentiram a agressividade, então não querem mais ser avaliados junto com esses grupos sociais. Eles se voltaram para o seu reduto tradicional, que é o Facebook – lugar em que esses grupos realmente iniciaram as suas demandas, expuseram as suas visões e posturas”, afirma. Neves diz que estudos mostram uma relação muito fraca ou nenhuma correlação entre a Copa, o futebol e a política. A professora Maria da Consolação Rocha, 51, integrante do Comitê dos Atingidos pela Copa (Copac), diz que os movimentos continuam fortes. Em Belo Horizonte, segundo ela, os grupos seguem atuando na luta por direitos da população, como moradia, saúde e educação. Na capital, há protestos programados para os dias 12 e 14 de junho, com concentração na praça Sete, no centro da cidade. Integrante do Movimento Tarifa Zero, a estudante de arquitetura Ana Caroline Azevedo, 19, vê os protestos do ano passado como mais espontâneos. “Neste ano os movimentos já estão estabelecidos, têm uma organização e atraem outro público, mais interessado pelas pautas específicas”, diz.

Confirmados Primeiro ato. Mais de 6.500 pessoas confirmaram presença do evento no Facebook do ato “Copa sem Povo, Tô na Rua de Novo”, que está marcado para ocorrer nesta quinta, na abertura do Mundial.

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